Dirigente de ensino é afastada em SP após recomendar biografias de Hitler e Mussolini em reunião

Secretaria de Educação de São Paulo abriu apuração após Roselaine Batalha Silva chamar Hitler de “líder excepcional” durante reunião com gestores escolares em Mogi das Cruzes

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Roselaine Batalha Silva deixou a função de dirigente da Unidade Regional de Ensino de Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo, depois da repercussão de declarações feitas durante uma reunião com diretores de escolas estaduais. Segundo reportagem do portal g1, ela recomendou, durante reunião com diretores, a leitura das biografias de Adolf Hitler e Benito Mussolini ao abordar conceitos relacionados à liderança.

A reunião ocorreu de forma virtual em 12 de agosto e foi gravada. Durante a conversa com os gestores, Roselaine apresentou exemplos de personalidades históricas e citou líderes associados a regimes autoritários do século 20 ao falar sobre leituras que, em sua avaliação, poderiam ser consideradas “estimulantes”.

Entre os nomes mencionados estavam Hitler, ditador da Alemanha nazista, e Mussolini, líder do regime fascista italiano. Roselaine também mencionou Salazar, embora o tenha associado à Espanha durante sua declaração. António de Oliveira Salazar comandou o regime autoritário do Estado Novo em Portugal.

“No geral é estimulante ler biografia mesmo dos maus. Salazar na Espanha, Mussolini na Itália, Hitler. Mein Kampf [Minha Luta], ‘Minha Vida’ do Hitler, é tão estimulante que se eu tirar o nome ele convence países, jovens e nós até hoje”, afirmou a dirigente aos gestores.

Hitler foi chamado de “líder excepcional”

Em outro momento da reunião, Roselaine voltou a mencionar Hitler ao desenvolver seu raciocínio sobre liderança. A então dirigente reconheceu o caráter do caminho seguido pelo ditador alemão, mas afirmou que ele teria sido um “líder excepcional”.

“Mas a gente sabe qual era o caminho de Hitler, mas ele era um líder excepcional e isso ninguém pode negar. Mas não foi dada uma coroa para ele, mas a quem foi dada a responsabilidade de fazer sobressair o melhor que há nos outros. Esse é o meu diretor”, declarou na reunião.

Hitler comandou a Alemanha nazista e foi responsável por um regime baseado em perseguição política, racismo e antissemitismo. Sob seu governo, a Alemanha iniciou a Segunda Guerra Mundial na Europa, e o regime nazista promoveu o Holocausto, no qual seis milhões de judeus foram assassinados, além da perseguição e morte de milhões de outras vítimas.

Mussolini, outro nome citado na reunião, comandou a Itália fascista e estabeleceu uma ditadura marcada pela repressão de opositores e pela eliminação de liberdades políticas. A Itália tornou-se uma das principais aliadas da Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

As referências feitas em uma reunião voltada a profissionais da educação provocaram repercussão e chegaram à Secretaria Estadual de Educação de São Paulo.

Secretaria determina saída e abre apuração

Após tomar conhecimento do episódio, a Secretaria Estadual de Educação informou que determinou o encerramento da função de dirigente exercida por Roselaine Batalha Silva.

A pasta também instaurou uma apuração para esclarecer os fatos e as circunstâncias das declarações feitas durante o encontro virtual com os gestores escolares.

Em nota, a Secretaria afirmou que não compactua com manifestações que contrariem os princípios e valores que orientam a educação pública paulista. O órgão ressaltou ainda que as declarações atribuídas à então dirigente não representam o posicionamento institucional da pasta.

A apuração deverá analisar o contexto em que as falas foram feitas e os demais elementos relacionados ao episódio.

A Unidade Regional de Ensino de Mogi das Cruzes integra a estrutura responsável pela administração e acompanhamento das unidades da rede estadual na região. O cargo de dirigente coloca seu ocupante em contato direto com diretores e outros profissionais responsáveis pela gestão das escolas.

Diretor afirma que declarações semelhantes eram recorrentes

Um diretor da rede estadual de Mogi das Cruzes afirmou que comentários semelhantes já teriam ocorrido anteriormente em reuniões conduzidas por Roselaine.

O profissional pediu para não ter a identidade divulgada. Segundo ele, encontros com a então dirigente aconteciam regularmente às quartas-feiras e declarações desse tipo não seriam um episódio isolado.

“Tudo que aconteceu é real. Aliás, essas falas dela eram bem comuns”, contou.

A afirmação do diretor acrescenta um novo elemento à apuração, já que indica a possibilidade de outras manifestações semelhantes em encontros anteriores. Não foram apresentados, porém, detalhes sobre quais seriam essas outras declarações nem registros delas.

Procurada pelo g1 para comentar tanto as declarações feitas na reunião quanto a decisão de afastá-la da função de dirigente regional, Roselaine Batalha Silva não havia respondido até a última atualização da reportagem original.

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