Games entram na terapia como ponte para crianças e adolescentes

Estratégia busca facilitar a aproximação com pacientes e avaliar o impacto do uso de telas na rotina

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O interesse por videogames, muitas vezes associado apenas ao entretenimento, passou a fazer parte da estratégia de atendimento de crianças e adolescentes, como ponto de aproximação com pacientes que chegam ao consultório pouco dispostos a participar da terapia.

A estratégia é utilizada pelo psicólogo Rafael Baptista de Melo, fundador e diretor-clínico da Revitaliz. Gamer, ele conta que costuma usar o próprio conhecimento sobre jogos para estabelecer uma conversa inicial com os pacientes.

Segundo o psicólogo, não é raro que adolescentes sejam levados à terapia por insistência dos pais, da escola ou de profissionais de saúde. Nesse cenário, falar sobre um assunto de interesse do jovem pode ajudar a reduzir a resistência inicial.

O profissional avalia quais jogos são adequados para cada paciente, além do tempo de exposição às telas e dos possíveis impactos desse hábito na rotina.

Alguns jogos, segundo ele, podem estimular habilidades como cooperação, estratégia e tolerância à frustração. A escolha, portanto, é feita de acordo com as características e necessidades de cada criança ou adolescente.

“A gente não está só brincando. Tudo isso faz parte da avaliação e da intervenção no tratamento. A gamificação entra como uma ponte que permite criar vínculos”, explica.

Uso de telas exige atenção

O mesmo ambiente que pode ser utilizado como ferramenta de aproximação também pode representar um problema quando o uso de jogos e redes sociais passa a interferir na vida do jovem.

Baptista afirma que casos de uso excessivo de telas precisam ser avaliados individualmente, principalmente quando aparecem prejuízos na vida social, escolar ou emocional.

“O uso terapêutico de jogos facilita o processo, e isso independe do diagnóstico. Mas é sempre preciso avaliar a gravidade, caso a caso, do impacto que os jogos produzem na vida da criança ou do adolescente. Há casos em que há prejuízos sociais, pedagógicos e emocionais”, diz.

O psicólogo também relata que questões relacionadas à segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital passaram a aparecer com frequência no consultório. Entre os assuntos citados estão as discussões provocadas por denúncias do influenciador Felca sobre a exposição de menores na internet e a chamada “adultização” de crianças.

No caso do Roblox, plataforma citada nas denúncias, mudanças recentes nas regras de comunicação e nos mecanismos de verificação de idade para usuários menores de 16 anos também passaram a alimentar discussões entre os pacientes.

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