O sequestro de pelo menos 18 ônibus para a montagem de barricadas durante uma operação policial na Zona Norte do Rio, nesta quarta-feira (26), é mais uma demonstração da necessidade de ampliar as ações do estado para recuperar áreas sob domínio de grupos criminosos. A avaliação é do deputado Marcelo Dino (PL), coordenador da Frente Parlamentar de Acompanhamento das Ações de Retomada dos Territórios da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Os coletivos foram atravessados em vias de Cascadura para dificultar o avanço de policiais durante uma operação da Polícia Militar nas comunidades do Campinho e Fubá. Segundo as informações divulgadas sobre a ação, quatro suspeitos foram presos, um morreu e outro foi baleado.
Para Dino, o episódio mostra que a disputa pelo controle territorial representa um desafio que ultrapassa os limites da capital. O parlamentar afirmou que situações semelhantes são encontradas em diferentes regiões do estado e defendeu uma presença mais efetiva do poder público nesses locais. “Essa situação que está ocorrendo no Rio como também em Caxias tem a ver com a ambição dos traficantes pelo território”, afirmou.
Cais clandestino em Caxias
Dino citou como exemplo uma fiscalização realizada na localidade do Sapinho, na região do Pantanal, em Duque de Caxias, terça-feira (25). Durante a visita, segundo o deputado, foi constatada a existência de um cais improvisado construído junto ao rio que seria utilizado por criminosos para deixar a região e chegar à comunidade da Jerusa, no Jardim Gramacho, também em Caxias.
“Recebi informações no local que criminosos ligados ao Terceiro Comando montaram esse cais para fazer a travessia pelo rio em direção à Jerusa. A polícia já retirou parte da estrutura usada para auxiliar a travessia”, relatou.
De acordo com o parlamentar, parte do cais já foi desmontada pelas forças de segurança, mas ainda há estruturas no local. Dino afirmou que pretende cobrar a retirada completa. “Agora vamos cobrar para que o restante seja removido, pois cada vez mais a atuação do crime organizado tem que ser dificultada”, declarou.
Na segunda-feira (24), o deputado também se reuniu com o comandante do 15º BPM para tratar da situação na região do Pantanal.
Disputa por territórios
Na avaliação do deputado, o domínio territorial de grupos criminosos envolve atualmente outras fontes de renda além do tráfico de drogas. Ele citou a exploração de serviços clandestinos e a imposição de produtos e preços aos moradores das comunidades.
“Hoje, as atividades envolvendo as drogas, em si, estão em papel secundário diante da exploração da região, que vai desde a Internet clandestina e pãozinho superfaturado ao controle da população ali da comunidade pelo medo”, disse.
O deputado defendeu que a recuperação dessas áreas seja acompanhada pela presença permanente do poder público e por medidas que reduzam o controle exercido por organizações criminosas sobre os moradores. “É importante que o Estado se faça presente e os moradores denunciem os abusos contra a população”, afirmou.
Para o coordenador da frente parlamentar, tanto o uso de ônibus para impedir operações policiais na capital quanto a instalação de estruturas clandestinas para facilitar a circulação de criminosos na Baixada Fluminense evidenciam diferentes formas de controle territorial que precisam ser enfrentadas pelas forças de segurança e demais órgãos do Estado.







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