O investidor Nelson Tanure apresentou uma notícia-crime contra o gestor Vladimir Timerman, acusando-o de extorsão em meio à disputa entre os dois no mercado financeiro. A denúncia está documentada nos autos e envolve a alegação de que Timerman teria proposto uma trégua em troca da compra de um lote de ações da Gafisa por valor muito superior à cotação de mercado, informa Gabriella Furquim, em Metrópoles.
Segundo o registro judicial, Timerman teria oferecido a Tanure, em 10 de fevereiro de 2023, um lote de R$ 4,7 milhões em ações da construtora por R$ 55 cada papel. Naquela data, os papéis da Gafisa valiam R$ 9,81. Em depoimento, Tanure afirmou que a atuação de Timerman em defesa de minoritários seria uma “máscara” para tentar extorqui-lo.
Tanure relata ameaças e pedido de R$ 2 bilhões
Ainda de acordo com a notícia-crime, Tanure afirmou que Timerman enviou mensagens a terceiros exigindo R$ 2 bilhões e ameaçando divulgar “bombas atômicas”, descritas como informações falsas capazes de prejudicar empresas ligadas ao investidor. A denúncia apresentada por Tanure deu origem a um processo criminal por extorsão.
O caso faz parte de uma longa disputa envolvendo Timerman, que ganhou notoriedade por denúncias contra nomes do mercado financeiro e, mais recentemente, por apontamentos relacionados ao caso Master. Ao mesmo tempo, o gestor acumula mais de 40 processos criminais ligados à sua atuação e a conflitos com adversários.
Condenações e embates no mercado financeiro
Em um dos processos, Timerman foi condenado por perseguição após publicações em que, segundo os autos, insinuou saber onde trabalhava a filha de um rival. A pena, revista em maio deste ano, foi fixada em um ano, um mês e 15 dias de reclusão, em regime aberto. O autor da ação foi justamente Nelson Tanure.
Timerman também foi condenado em processo movido pelo gestor Daniel Alberini, da CTM Investimentos, por difamação. A sentença registrou que Timerman admitiu ter lucrado com a publicação de um artigo sobre Alberini e declarou que “não vê problema em ganhar dinheiro com a análise correta feita por ele”.
Gestor pede proteção ao STF
Apesar do histórico de processos, Timerman afirma ser alvo de perseguições por causa de suas denúncias. No início do mês, ele acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir inclusão no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, o Provita.
A defesa sustenta haver risco “crescente” à integridade física do gestor e cita conversas interceptadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, nas quais o nome de Timerman é mencionado. O pedido foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ainda aguarda resposta.
“Eu denunciei a maior organização da história do país. Minha agressividade é não abaixar a cabeça, é não ter medo desses caras. E eu vou continuar denunciando, vou continuar cobrando que os órgãos de controle façam o trabalho deles”, afirmou Timerman.







Deixe um comentário