Projeto do PL na Câmara do Rio propõe categoria exclusiva para atletas trans e não binários em competições esportivas

Proposta apresentada pelo vereador Fernando Armelau (PL) prevê nova categoria em eventos oficiais realizados no município, além da criação de vestiários neutros para os competidores

Seguindo os passos da Alerj, a Câmara do Rio começou a analisar um polêmico projeto de lei que prevê a criação de uma categoria específica para atletas trans e não binários em competições esportivas e paradesportivas oficiais realizadas no município.

De autoria do vereador Fernando Armelau (PL), o Projeto de Lei 1938/2026 estabelece que a medida poderá ser aplicada em quaisquer tipos de modalidades individuais e coletivas em terras cariocas.

Pelo texto, competições oficiais realizadas na cidade passariam a ser obrigadas a contar com uma categoria específica destinada a atletas trans e não binários. A proposta também cria regras para inscrição dos competidores, adequações em espaços esportivos e penalidades para entidades que não se adequarem às exigências da legislação.

Vestiários neutros e justificativa

Além da criação da nova categoria, o projeto determina que federações, clubes e demais entidades esportivas disponibilizem departamentos e vestiários neutros para uso exclusivo de atletas trans e não binários.

De acordo com a proposta, os espaços deverão atender às normas de acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

“Há um clamor da sociedade acerca de medidas apaziguadoras que demandam a criação de uma categoria à parte em todas as competições desportivas e paradesportivas, pondo fim à problemática do melhor desempenho de atletas trans, principalmente quando competem com mulheres cisgênero”, diz Fernando Armelau na justificativa do texto.

O parlamentar também argumenta que a inclusão de atletas trans no esporte deve ser acompanhada de regras que, segundo ele, preservem a competitividade entre os participantes.

“A participação inclusiva de transexuais ou não binários no esporte deve ser pautada pelo respeito à realidade e jamais pode implicar na exclusão de outros atletas, como ocorre no caso de transgêneros ingressando no esporte feminino”, acrescenta.

Multas e possibilidade de interdição

A proposta prevê multa de até R$ 5 mil para federações, entidades ou clubes que deixarem de cumprir as determinações previstas na medida.

Em caso de reincidência, o valor da penalidade poderá ser ampliado. Já na terceira infração, o estabelecimento poderá ser interditado por seis meses, com suspensão imediata da licença de funcionamento, além da aplicação de multa equivalente a dez vezes o valor inicial.

Outra previsão do projeto estabelece que atletas trans que não informarem sua condição ao se inscreverem em competições das categorias masculina ou feminina poderão sofrer sanções esportivas, incluindo o banimento das disputas, com regras equiparadas às previstas para casos de dopagem.

Proposta semelhante avançou na Alerj

Fernando Armelau é marido da deputada Índia Armelau (PL), autora do projeto aprovado recentemente pela Assembleia Legislativa do Rio que prevê a criação de banheiros e vestiários específicos para pessoas trans, não binárias ou que não realizaram cirurgia de afirmação de gênero em determinados ambientes públicos e privados do estado. A proposta foi aprovada pela Alerj no fim do mês passado e seguiu para análise do governador em exercício, que poderá sancionar ou vetar o texto.

O projeto na Câmara do Rio ainda precisará passar pelas comissões permanentes antes de eventual votação em plenário.

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