COI limita categoria feminina a atletas biológicas e exige teste genético

Nova política altera regras de elegibilidade e reacende debate global sobre inclusão, ciência e equidade no esporte

O Comitê Olímpico Internacional anunciou nesta quinta-feira (26) uma mudança significativa nas regras de participação em competições femininas. A partir de agora, apenas atletas biologicamente do sexo feminino poderão disputar provas nessa categoria, com a exigência de um teste genético único para determinar a elegibilidade.

Segundo a entidade, a medida busca padronizar critérios no esporte de alto rendimento e garantir justiça competitiva. O exame será baseado na detecção do gene SRY, responsável pelo desenvolvimento biológico masculino, e terá validade permanente ao longo da carreira da atleta.

Nova regra redefine elegibilidade

De acordo com o COI, atletas com resultado positivo para o gene SRY — incluindo mulheres trans e pessoas com condições intersexo XY — não poderão competir na categoria feminina. Esses competidores seguirão aptos para disputar provas masculinas, categorias mistas ou abertas.

A presidente do COI, Kirsty Coventry, afirmou que a decisão foi baseada em critérios científicos. “Nos Jogos Olímpicos, diferenças mínimas impactam resultados. Não seria justo nem seguro permitir que homens biológicos disputem na categoria feminina”, declarou.

Reações e críticas internacionais

A nova política, no entanto, enfrenta resistência. Mais de 80 organizações de direitos humanos e entidades esportivas criticaram a proposta antes mesmo de sua oficialização. Grupos como a Sport & Rights Alliance e a ILGA World classificaram a medida como um retrocesso na igualdade de gênero.

Até então, a participação de atletas trans nos Jogos Olímpicos era definida por federações internacionais de cada modalidade, o que resultava em regras variadas. Esportes como atletismo, natação e rugby já haviam adotado restrições mais rígidas.

Contexto global e casos recentes

O debate ganhou força após episódios recentes, como a polêmica envolvendo a boxeadora Imane Khelif nos Jogos de Paris 2024, e a disputa judicial da atleta sul-africana Caster Semenya sobre regras hormonais.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump já havia proibido a participação de atletas trans em competições femininas. A medida ocorre enquanto Los Angeles se prepara para sediar os Jogos Olímpicos de 2028.

A primeira atleta trans a competir em uma Olimpíada foi Laurel Hubbard, nos Jogos de Tóquio 2020, sob regras anteriores que consideravam níveis hormonais.

Debate segue sem consenso científico

Apesar da justificativa do COI, especialistas ainda divergem sobre possíveis vantagens competitivas relacionadas ao sexo biológico. A decisão, portanto, deve manter o tema no centro das discussões esportivas e políticas nos próximos anos.

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