A desembargadora Cinthia Bittencourt Schaefer, relatora da Operação Mensageiro no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), passou a ser alvo de uma investigação interna após o surgimento de informações sobre um suposto plano de atentado contra ela. O caso é tratado sob sigilo e levou o Judiciário catarinense a reforçar a segurança da magistrada.
A apuração ocorre em meio aos desdobramentos da Operação Mensageiro, considerada uma das maiores investigações de corrupção municipal já realizadas em Santa Catarina e que resultou na prisão de 17 prefeitos, além de servidores públicos e empresários.
Plano teria surgido durante nova operação
As informações sobre a suposta ameaça vieram à tona após a deflagração da Operação DNA do Crime, realizada no último dia 2 de junho. A ação teve como alvo empresários suspeitos de integrar uma organização criminosa investigada por suposto enriquecimento ilícito e por manter contratos públicos em execução.
Segundo informações apuradas pelo Tribunal de Justiça, um dos investigados presos teria comentado dentro do sistema prisional sobre um suposto plano contra a desembargadora.
As informações levaram à abertura de um procedimento conduzido pelo Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional do TJ-SC.
Monitoramento da rotina
De acordo com as informações que estão sendo analisadas, o suposto plano envolveria o monitoramento da rotina e dos deslocamentos da magistrada.
Até o momento, não há confirmação sobre quem teria ordenado ou financiado a eventual ação criminosa. Uma das hipóteses examinadas pelos investigadores é a possibilidade de que um atentado pudesse ser disfarçado como acidente de trânsito para dificultar a identificação dos responsáveis.
As circunstâncias estão sendo avaliadas pelas equipes de inteligência responsáveis pelo caso.
Acidente de 2023 volta a chamar atenção
Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi um acidente envolvendo a desembargadora ocorrido em março de 2023.
Na ocasião, Cinthia Schaefer estava em um veículo oficial do Tribunal de Justiça, acompanhado de um motorista, quando sofreu um acidente na BR-101, em Itajaí.
Tanto a magistrada quanto o condutor sofreram apenas ferimentos leves. O episódio foi tratado como um acidente de trânsito comum e não houve, naquele momento, qualquer investigação sobre eventual ação criminosa.
Até agora, não existe indicação pública de que aquele acidente tenha relação com as informações atualmente investigadas.
Tribunal confirma investigação
Procurado, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina confirmou a existência do procedimento, mas informou que não divulgará detalhes em razão do sigilo.
Em nota, o TJ-SC afirmou que a medida busca garantir o andamento das investigações e evitar prejuízos à apuração dos fatos.
O tribunal também confirmou que adotou medidas adicionais de proteção para garantir a segurança da desembargadora.
Cinthia Schaefer não se manifestou publicamente sobre o caso.
O peso da Operação Mensageiro
A relevância do episódio está diretamente ligada ao papel desempenhado pela magistrada na Operação Mensageiro.
Deflagrada em 2022, a investigação apura supostas irregularidades em contratos de coleta de lixo e limpeza urbana firmados por diversas prefeituras catarinenses.
Como relatora do caso, Cinthia Schaefer autorizou medidas que tiveram grande impacto político e administrativo no estado, incluindo a prisão preventiva de 17 prefeitos, além de empresários e agentes públicos investigados.
Segundo balanço divulgado pelas autoridades, a operação já passou por seis fases e resultou em 45 prisões preventivas, 316 mandados de busca e apreensão e processos envolvendo 66 investigados.
Investigação segue em sigilo
Todos os prefeitos presos ao longo da operação foram posteriormente colocados em liberdade e continuam negando irregularidades.
Enquanto isso, a apuração sobre o suposto plano contra a desembargadora segue sob sigilo absoluto.
O foco dos investigadores agora é verificar a consistência das informações obtidas no sistema prisional, identificar possíveis envolvidos e esclarecer se houve efetivamente uma articulação para intimidar ou atacar a magistrada responsável por uma das mais abrangentes operações anticorrupção da história recente de Santa Catarina.






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