A candidata presidencial Keiko Fujimori abriu vantagem entre os peruanos que vivem no Brasil, mas a disputa pelo comando do Peru continua em aberto. Com mais de 98% das urnas apuradas nesta sexta-feira (12), a líder do partido Fuerza Popular recebeu a maioria dos votos registrados nos consulados peruanos em território brasileiro, enquanto a apuração nacional segue marcada por uma diferença mínima entre os candidatos.
Segundo os dados eleitorais, Keiko obteve 55,7% dos votos válidos entre os peruanos residentes no Brasil, contra 44,3% do candidato de esquerda Roberto Sánchez. Em números absolutos, foram 2.769 votos para a candidata conservadora e 2.203 para o adversário.
O desempenho reforça uma tendência já observada em eleições anteriores: a preferência dos eleitores peruanos que vivem no exterior por Keiko Fujimori.
São Paulo concentra maior número de votos
A maior parte dos votos registrados no Brasil veio da cidade de São Paulo, onde vive uma das maiores comunidades peruanas do país.
Na capital paulista, Keiko também aparece à frente, com cerca de 50,8% dos votos apurados até o momento.
A candidata perdeu apenas em Fortaleza e Porto Alegre. Ainda assim, os números registrados nessas cidades foram considerados pequenos para alterar o resultado geral da votação brasileira.
Exterior vira trunfo de Keiko
A vantagem observada no Brasil acompanha o comportamento do eleitorado peruano residente em outros países.
Com mais de 94% das urnas do exterior apuradas, Keiko soma aproximadamente 63,4% dos votos válidos fora do Peru, consolidando uma das principais bases de apoio de sua candidatura.
O cenário repete o ocorrido em 2021, quando a candidata também venceu com folga entre os eleitores residentes no exterior, embora tenha acabado derrotada no resultado final nacional.
Disputa continua indefinida
Apesar da vantagem fora do país, a eleição presidencial peruana permanece sem definição.
Com cerca de 98% das urnas contabilizadas, pouco mais de 1.500 votos separam Keiko Fujimori e Roberto Sánchez.
A diferença é tão pequena que a liderança já mudou de mãos mais de uma vez desde o início da semana. Após Keiko abrir vantagem na noite da eleição, Sánchez assumiu a liderança durante a apuração parcial. Dias depois, a candidata voltou a ultrapassar o adversário impulsionada justamente pelos votos do exterior.
Sánchez pede recontagem
Diante do cenário apertado, Roberto Sánchez defendeu nesta sexta-feira uma revisão das atas eleitorais previstas pela legislação peruana.
O candidato afirmou que a pequena diferença entre os concorrentes exige uma verificação minuciosa dos votos para garantir que não haja dúvidas sobre o resultado final.
A proposta foi rejeitada por aliados de Keiko Fujimori, que argumentam que os procedimentos eleitorais já estão previstos na legislação e devem seguir seu curso normal.
Clima de tensão cresce no Peru
A demora na definição do resultado tem aumentado a tensão política no país.
Enquanto apoiadores de Sánchez convocam manifestações em defesa da recontagem, Keiko Fujimori tem pedido respeito às instituições eleitorais e aos registros oficiais da apuração.
A eleição é considerada uma das mais disputadas da história recente do Peru e ocorre em um momento de forte instabilidade política. Nos últimos dez anos, o país teve uma sucessão de presidentes, crises institucionais e confrontos entre Executivo e Congresso.





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