A produtora do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Karina Gama afirmou que se sente pressionada a fazer uma delação premiada, embora diga não ter informações que possam incriminar outras pessoas. Ela foi um dos alvos da Operação Make Up, da Polícia Federal, que investiga o suposto desvio de emendas parlamentares para financiar a produção.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Neste domingo, Dino também autorizou a quebra do sigilo fiscal de Karina e do Instituto Conhecer Brasil (ICB), empresa da qual ela é proprietária e que mantém um contrato de R$ 157 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de wi-fi na cidade.
A suspeita investigada é de que parte dos recursos relacionados ao contrato tenha sido desviada para a Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse e também pertencente a Karina. A empresária nega irregularidades e afirma que os contratos de suas empresas são protegidos por cláusulas de sigilo e confidencialidade.
Karina diz que não será novo Mauro Cid
Em entrevista à CNN Brasil, Karina contou que foi procurada por um advogado e por um pastor que ofereceram ajuda caso ela decidisse fazer uma delação. Ela afirmou que pretende colaborar com as investigações, desde que os procedimentos legais sejam respeitados.
A produtora também relatou ter recebido ameaças de pessoas com quem manteve relações pessoais e profissionais. Segundo ela, a condução do caso provocou a sensação de que poderia ser colocada na posição ocupada pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro que firmou acordo de delação premiada.
Karina afirmou que não pretende seguir esse caminho porque, segundo seu relato, não participou de nenhuma ação que pudesse incriminar outras pessoas. Ela sustentou que sua atuação no caso se limitou à produção de Dark Horse e a projetos sociais.
Empresária nega ligação com Vorcaro
Outra investigação conduzida no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura repasses feitos por Daniel Vorcaro após pedidos do senador Flávio Bolsonaro (PL). Karina negou que o filme tenha recebido recursos de emendas parlamentares ou que tenha mantido relação direta com o ex-banqueiro.
Segundo a produtora, o financiamento inicial do projeto veio do fundo Havengate. Ela afirmou que o orçamento foi alterado depois da decupagem do roteiro e que o fundo realizou uma análise financeira e documental da produtora e de seus responsáveis antes de aprovar o projeto.
Karina declarou que sua função era executar a produção e que não cabia a ela investigar a origem dos recursos utilizados pelo fundo. Ela também afirmou que descobriu pela imprensa o nome da empresa investidora relacionada ao fundo.
Produção custou US$ 13,3 milhões
Karina disse que os problemas financeiros para bancar Dark Horse começaram no fim de 2025, quando o projeto já estava em andamento e contava com uma estrutura de produção. De acordo com a empresária, o filme consumiu US$ 13,3 milhões, todos provenientes de recursos privados, segundo sua versão.
A declaração ocorre após uma delação premiada homologada nesta semana por André Mendonça. Nela, o doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior afirmou ter realizado sete transferências que somaram US$ 12,3 milhões para o fundo Havengate.
Segundo o relato apresentado na delação, as transferências teriam ocorrido sob ordens de Daniel Vorcaro e após pedidos de Flávio Bolsonaro. Karina, porém, rejeitou qualquer vínculo entre a produtora, o ex-banqueiro e as empresas ligadas a ele.
Relação com Mário Frias
Karina Gama não tinha experiência anterior no cinema antes de assumir a produção de Dark Horse. Sua trajetória profissional estava principalmente ligada ao terceiro setor, mas nos últimos anos ela passou a firmar contratos de valores elevados com a Prefeitura de São Paulo, diversificou os negócios e abriu uma holding em Aracaju.
A atuação na produção do filme também coincidiu com a aproximação com o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que participou do roteiro de Dark Horse e também foi alvo da Operação Make Up.
A empresária afirmou que não foi contratada para captar recursos para o filme, mas para produzir a obra. Ela também disse que já foi eleitora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e atribuiu as dificuldades enfrentadas a questões como preconceito, interesses financeiros e perseguição política.
Karina ainda afirmou que impedir a distribuição do filme representaria censura. Ela declarou que teme que diferentes aspectos de sua vida pessoal e profissional sejam associados às investigações sobre o longa-metragem.







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