A prisão do cantor Marlon Brandon Coelho Couto, conhecido como MC Poze do Rodo, na madrugada desta quinta-feira (29), gerou uma onda de reações nas redes sociais. Detido por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), e sem apresentar resistência, o funkeiro foi levado algemado, descalço, vestindo apenas uma bermuda e contido por dois policiais. A imagem se espalhou pelas redes sociais e despertou comparações com outras prisões.
MC Poze do Rodo é investigado por tráfico de drogas, associação para o tráfico e apologia ao crime. Segundo a polícia, ele costuma se apresentar em bailes realizados exclusivamente em comunidades dominadas pelo Comando Vermelho (CV), onde traficantes fortemente armados garantiriam a segurança dos eventos.
Nas redes sociais, internautas levantaram o debate sobre o contraste entre a forma como ele foi conduzido e o tratamento dado a outros criminosos, muitos deles acusados de crimes iguais ou mais graves.
Um deles é o ex-deputado federal Roberto Jefferson, que resistiu à prisão em 23 de outubro de 2022, atirando contra agentes da Polícia Federal. Apesar da ação violenta, Jefferson apareceu em fotos posteriores sorrindo ao lado dos policiais, sem sinais de força excessiva.
Outro nas comparações foi a prisão do empresário Rogério Andrade, em outubro do ano passado. Ligado ao jogo do bicho, ele foi detido após uma denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), que afirma que ele mandou matar o rival Fernando Iggnácio.
Rogério foi levado para a delegacia bem vestido, caminhando de forma tranquila, sem algemas.
Outro caso citado foi a recente prisão do influenciador Vitor Vieira Belarmino. Ele é réu pela morte do fisioterapeuta Fábio Toshiro Kikuta, atropelado e morto logo após seu casamento, em julho do ano passado, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio.
Belarmino fugiu após atropelar a vítima e ficou foragido por 10 meses. Ele se entregou à 41ª DP (Recreio dos Bandeirantes), no dia 19 deste mês. Imagens mostram ele entrando pela porta da frente da delegacia, sem algemas, acompanhado do advogado e do delegado.
Investigações
O secretário de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi, afirmou que o cantor MC Poze do Rodo utilizava suas músicas como ferramenta de propaganda da facção criminosa Comando Vermelho. Segundo as investigações, o artista estaria promovendo uma narrativa que “enaltece o crime como uma necessidade social”, com o objetivo de atrair jovens para o tráfico.
Ainda de acordo com os policiais, o conteúdo das músicas do artista “faz clara apologia ao tráfico de drogas e ao uso ilegal de armas de fogo” e que ele incita confrontos entre facções rivais, como o CV e o Terceiro Comando Puro.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram Poze se apresentando cercado de homens armados com fuzis. Em uma das músicas, ele menciona o nome do CV e provoca diretamente a facção rival, Terceiro Comando Puro.
O carro do cantor, uma BMW X6 avaliada em mais de R$ 1 milhão, foi apreendido na manhã desta quinta-feira (29) por uma infração administrativa. Segundo a Polícia Civil, o documento do veículo registra a cor preta, mas ele está pintado de vermelho.
A reportagem tenta localizar a defesa do cantor. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.






