Mãe Loira do Funk trocou celulares durante fuga antes de ser presa, diz delegado

Veronica Costa passou por dois endereços e usou ao menos dois veículos antes de ser localizada pela Polícia Civil na Região Serrana

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A ex-vereadora do Rio Veronica Chaves de Carvalho Costa, conhecida como Mãe Loira do Funk, trocou celulares e chips enquanto era procurada pela Polícia Civil, numa tentativa de dificultar sua localização, segundo o delegado Luís Otávio Franco, responsável pela operação que terminou com a prisão dela em Petrópolis, na Região Serrana do Rio.

Condenada a 10 anos e 8 meses de prisão, em regime fechado, por tortura contra o ex-marido, Márcio Costa, Veronica estava foragida desde quarta-feira (23). Ela foi presa na quinta-feira (24), depois de passar por diferentes endereços e utilizar ao menos dois veículos durante o deslocamento.

A ex-vereadora nega ter cometido o crime. Sua defesa apresentou ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro um pedido de revisão criminal, que ainda deverá ser analisado.

Caixas de iPhones chamaram atenção

Um dos elementos encontrados pelos investigadores durante as buscas foram duas caixas de iPhones novos em uma das casas de Petrópolis pelas quais Veronica teria passado.

Segundo o delegado Luís Otávio Franco, os aparelhos acabaram sendo encontrados posteriormente com a ex-vereadora.

“Quando a gente chegou, a equipe chegou nessa primeira casa ali em Petrópolis, eles viram duas caixas de iPhones zeradas. E quando foi efetuada a prisão, nós encontramos esses telefones”, afirmou o delegado.

De acordo com Franco, não foram apenas os aparelhos que foram substituídos. Os chips também teriam sido trocados. Para a polícia, a movimentação tinha como objetivo dificultar o rastreamento e a localização da ex-parlamentar.

As diligências começaram depois que policiais civis foram à residência de Veronica, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, para cumprir o mandado de prisão e não a encontraram.

Troca de carros e mudança de endereço

A investigação apontou que Veronica passou por dois endereços em Petrópolis durante o período em que era procurada. Ela também teria utilizado pelo menos dois veículos.

Segundo o delegado, um motorista levou a ex-vereadora até uma primeira residência. Quando os agentes chegaram ao imóvel, aproximadamente uma hora depois da saída dela, Veronica já havia seguido para outro local em um veículo diferente, com auxílio de outra pessoa.

“Ela foi para o endereço de Petrópolis, um motorista que levou ela de carro até lá. Aí nossa equipe chegou nesse endereço em Petrópolis. Ela havia saído há uma hora da chegada da nossa equipe com outro veículo, um outro motorista”, relatou Franco.

Na primeira residência, os policiais também encontraram comida para cachorros. Segundo o delegado, esse detalhe reforçou para a equipe a percepção de que as pessoas que estavam no imóvel haviam saído havia pouco tempo.

As diligências prosseguiram até que os agentes conseguiram localizar Veronica na região do Vale das Videiras, próximo a Araras, em Petrópolis.

Familiares também foram presos

No local, também foram presos Bruno Chaves Ribeiro, irmão de Veronica; Tatiane Chaves Ribeiro, irmã da ex-vereadora; e Bruno Marcelo Bahia Marques, marido de Tatiane.

Os três tinham mandados de prisão relacionados ao mesmo processo. Já Sebastião de Oliveira Evangelista, padrasto de Veronica, também condenado no caso e alvo de mandado de prisão, ainda não havia sido localizado, segundo as informações divulgadas.

A condenação contra a Mãe Loira do Funk está relacionada a um caso denunciado à Polícia Civil em fevereiro de 2011. Márcio Costa relatou ter permanecido amarrado e amordaçado durante cerca de 20 horas. Segundo o depoimento dele, familiares de Veronica teriam borrifado inseticida em seu rosto e espalhado gasolina sobre seu corpo, sob ameaça de atear fogo.

Veronica sempre negou as agressões. Em depoimento ainda em 2011, afirmou desconhecer a origem dos ferimentos apresentados pelo então marido e o acusou de usar drogas e de ameaçá-la.

A pena inicialmente determinada em primeira instância, em 2019, foi de 5 anos e 10 meses. Posteriormente, após recurso do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça elevou a condenação para 10 anos e 8 meses e determinou o cumprimento em regime fechado.

Após o trânsito em julgado da condenação, quando não cabem mais recursos ordinários contra a decisão, foi expedido o mandado de prisão.

Veronica nega crime e defesa busca revisão

Depois da prisão, Veronica voltou a negar que tenha torturado o ex-marido. Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou ter sofrido violência durante o relacionamento e contestou as provas consideradas no processo.

A defesa apresentou um pedido de revisão criminal ao Tribunal de Justiça do Rio. Esse instrumento permite questionar uma condenação definitiva em hipóteses previstas em lei. O pedido ainda deverá ser analisado e não há prazo definido para uma decisão.

A audiência de custódia realizada após a prisão manteve Veronica presa. Essa análise tratou da legalidade e das circunstâncias da prisão, e não do mérito do pedido de revisão da condenação.

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