A defesa do empresário Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de reconsideração da prisão preventiva decretada no âmbito da Operação Compliance Zero, investigação conduzida pela Polícia Federal sobre o chamado caso Master.
O principal argumento apresentado pelos advogados é um parecer técnico elaborado por uma perícia particular que contesta uma das evidências utilizadas pela Polícia Federal para sustentar o pedido de prisão: a suposta fuga de Felipe de um condomínio de luxo em Trancoso, no litoral da Bahia, durante o cumprimento de mandados da segunda fase da operação.
Laudo questiona identificação
Segundo a defesa, o estudo técnico concluiu que Felipe Vorcaro não é nenhum dos dois homens que aparecem em imagens do circuito interno de segurança utilizando um carrinho de golfe pouco antes da chegada dos agentes federais ao condomínio Terravista.
De acordo com os advogados, a análise foi realizada por especialistas em comparação morfológica facial e seguiu parâmetros internacionais utilizados em exames de identificação por imagem.
O parecer afirma que as características físicas observadas nos registros são incompatíveis com as de Felipe Vorcaro. Segundo a defesa, os ocupantes do veículo seriam o sogro do empresário, Kelson de Oliveira, e outro hóspede do condomínio identificado como Eduardo Phillipe Dantas Cunha Melo.
“O parecer técnico ora juntado, elaborado por peritos especializados em comparação morfológica facial e conduzido segundo os parâmetros do protocolo FISWG/E3149, conclui que os achados morfológicos contradizem a hipótese de que qualquer dos dois indivíduos registrados nas imagens corresponda a Felipe Cançado Vorcaro”, sustenta a petição.
Fuga foi citada pela PF
Na representação enviada ao STF, a Polícia Federal apontou que Felipe teria deixado o local às pressas após tomar conhecimento da operação, carregando equipamentos eletrônicos, como celular e notebook.
Os investigadores relataram que imagens captadas por diferentes câmeras mostrariam um homem com características físicas semelhantes às do empresário circulando pelo condomínio antes de embarcar em um carrinho de golfe.
Segundo a PF, a movimentação teria ocorrido poucos minutos antes da chegada dos agentes ao imóvel, às 5h59 da manhã do dia 14 de janeiro.
Defesa rebate versão
Os advogados afirmam que as próprias imagens mostram o retorno do carrinho de golfe à residência logo após o início da operação policial, com os mesmos ocupantes apontados pela perícia particular.
“Felipe Cançado Vorcaro não estava no carrinho. Não recebeu informação privilegiada sobre o cumprimento da diligência. Não praticou qualquer ato destinado a frustrá-la”, afirma a defesa.
Outros argumentos
O pedido encaminhado ao ministro André Mendonça também menciona documentos fornecidos pelo BTG Pactual que, segundo os advogados, esclareceriam movimentações financeiras interpretadas pela investigação como indícios de ocultação patrimonial.
A defesa sustenta que essas informações não teriam sido examinadas pela maioria dos ministros da Segunda Turma do STF quando o colegiado decidiu manter a prisão preventiva. A exceção, segundo os advogados, teria sido o ministro Gilmar Mendes, que votou contra a manutenção da medida.
Felipe Vorcaro é apontado pela Polícia Federal como integrante do núcleo financeiro-operacional da suposta organização criminosa investigada no caso Master. Seus advogados negam a acusação e afirmam que ele não participou de qualquer esquema ilícito.
Caberá agora ao relator do caso analisar os novos elementos e decidir se há motivos para rever a medida cautelar.






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