Praça Onze Maravilha: Sambódromo poderá ficar aberto ao público fora do Carnaval

Prefeitura planeja retirada de grades, criação de área para pedestres e integração da Sapucaí com o entorno, transformando o local em espaço público permanente; projeto foi aprovado na Câmara no mês passado

Vitrine do Carnaval carioca, o Sambódromo poderá passar a funcionar como um espaço aberto ao público durante todo o ano, fora dos períodos dos desfiles de Carnaval e de outros grandes eventos. A proposta faz parte do projeto urbanístico Praça Onze Maravilha, aprovado pela Câmara do Rio no fim de maio, e integra o plano da prefeitura que propõe uma série de intervenções na região da Praça Onze e da Marquês de Sapucaí.

A principal intervenção prevista no projeto, que ainda aguarda a publicação da redação final antes de seguir para sanção, é a demolição do Elevado Trinta e Um de Março, que liga o Túnel Santa Bárbara a bairros como Rio Comprido e Santo Cristo. O tráfego atualmente realizado pelo viaduto seria transferido para um mergulhão, liberando espaço para a criação de uma nova esplanada ao lado das arquibancadas da Passarela do Samba.

Com isso, a prefeitura pretende transformar o Sambódromo em um espaço de circulação e convivência para moradores e turistas ao longo do ano, mantendo o fechamento apenas durante desfiles carnavalescos e outros eventos realizados no local.

Segundo o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), a intenção é ampliar o uso da área para além do Carnaval e integrar o equipamento urbano ao restante da região central da cidade.

O projeto também prevê a retirada das grades que cercam a Passarela do Samba. A mudança permitirá que pedestres atravessem a Sapucaí até a Rua Benedito Hipólito, que deverá ser transformada em uma via exclusiva para circulação de pessoas.

De acordo com o arquiteto Rodrigo Azevedo, consultor da prefeitura para o projeto, a proposta busca resgatar a concepção original idealizada por Leonel Brizola e Darcy Ribeiro para o Sambódromo, de um espaço mais integrado à cidade. Segundo ele, a estrutura original, que é tombada, será mantida, e serão projetados novos espaços para restaurantes, sanitários e opções de serviços.

O financiamento do Praça Onze Maravilha seguirá moldes semelhantes aos aplicados na região portuária com o Porto Maravilha. O pacote de obras públicas, que inclui também novas vias e prédios residenciais na região da Praça Onze, será custeado por entes privados. Em contrapartida, os investidores receberão benefícios urbanísticos para construir acima do gabarito em áreas das zonas Sul e Norte da cidade.

A zeladoria do novo perímetro será gerida por meio de Distritos de Desenvolvimento Econômico (DDE) — modelo inspirado nos Business Improvement Districts (BIDs) de cidades como Nova York, Toronto e Joanesburgo —, em que associações e entidades da sociedade civil assumem a responsabilidade pela manutenção do espaço público.

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