Duas mulheres foram presas por manter um homem de 36 anos, com transtornos psiquiátricos, em cárcere privado em condições desumanas no município de Magé, na Baixada Fluminense. A informação foi divulgada pelo G1 nesta terça-feira (17), com base em dados da Polícia Civil do Rio de Janeiro e das secretarias municipais de Saúde e de Segurança Pública.
As suspeitas são mãe e irmã da vítima, que foi encontrada nua, trancada em um espaço com grades e cadeados, sem ventilação adequada, com pouco espaço e em meio a sujeira. A delegada Débora Rodrigues, titular da 66ª DP (Magé), classificou o cenário como degradante e revelou detalhes do resgate: “Fomos até o local, e realmente ele estava preso com grade, cadeado e ninguém tinha a chave. A irmã disse que ele estava assim há pelo menos dois anos. Ela disse que uma cuidadora deixava comida para ele”.
Segundo a investigação, a mãe da vítima, Maria Lúcia da Silva Nascimento, de 54 anos, também é acusada de se apropriar do benefício do INSS do filho. Ela foi presa enquanto retornava do trabalho como diarista em Piabetá, distrito de Magé. Já a irmã foi detida na residência onde o irmão era mantido em cárcere. A mulher admitiu que o mantinha naquele estado há pelo menos dois anos.
Ainda de acordo com a delegada, a família pagava R$ 500 por mês a uma cuidadora para alimentar o homem. “Essa cuidadora disse que, se ela não vai, ninguém alimenta o rapaz”, relatou Débora Rodrigues.
O local onde a vítima foi mantida passou por perícia, e as autoridades avaliam as responsabilidades criminais das duas suspeitas, que responderão por cárcere privado qualificado. A vítima foi resgatada e está sob cuidados médicos.
O caso reacende o debate sobre o abandono de pessoas com transtornos mentais e o uso indevido de benefícios sociais por familiares, além de expor a fragilidade da rede de assistência para pessoas em situação de vulnerabilidade psicológica e social.






