Uma viagem para celebrar a conclusão do mestrado e a aprovação no doutorado da Universidade de São Paulo (USP) terminou com a morte do professor de Matemática Daniel Oliveira de Andrade. Nesta quinta-feira (5), a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) pediu a prisão temporária de um policial militar suspeito de efetuar o disparo que matou o paulista.
O crime ocorreu por volta das 2h30 de 31 de outubro, na Rodovia Presidente Dutra, na altura de Austin, em Nova Iguaçu. Daniel viajava com dois amigos e dormia no banco do carona, com o assento reclinado. Outro passageiro também estava dormindo, enquanto apenas o motorista permanecia acordado.
Segundo as informações divulgadas, quatro tiros foram disparados contra o veículo. Um deles atingiu o professor na região da axila. Daniel foi levado de ambulância ao Hospital Geral de Nova Iguaçu, onde chegou sem vida.
Suspeito faltou a depoimento
A Polícia Civil não divulgou o nome do policial militar. De acordo com a DHBF, ele havia sido intimado para prestar depoimento nesta quinta-feira, mas não compareceu. Um advogado esteve na delegacia em seu lugar.
Os investigadores trabalham com a hipótese de uma discussão de trânsito antes dos disparos. A família, porém, contesta essa possibilidade com base nos relatos dos amigos que estavam no carro.
Alannys Oliveira, cunhada de Daniel, afirmou que o outro veículo se aproximou por trás, dando sinais de luz e pedindo passagem. Depois de ultrapassagens envolvendo um caminhão, o suspeito teria emparelhado com o automóvel dos amigos e atirado.
“Não houve racha, não houve uma briga, não houve nada”, declarou.
Segundo ela, as manobras do outro motorista fizeram os ocupantes acreditarem que poderia estar ocorrendo uma tentativa de assalto ao caminhão. A motivação permanece sob investigação.
Família cobra responsabilização
A identificação de um policial militar como suspeito aumentou a revolta dos familiares. Alannys cobrou a prisão e um julgamento que permita à família acompanhar a responsabilização pela morte.
Daniel havia saído de São Paulo na noite de 30 de outubro. A viagem ao Rio marcaria duas conquistas acadêmicas, o encerramento do mestrado e a notícia de que poderia iniciar o doutorado na USP.
A mãe, Iolanda de Oliveira, relembrou a trajetória do filho na escola pública, o esforço para ingressar na universidade e a dedicação ao ensino e aos esportes. Ela também destacou a presença de alunos, professores e amigos na despedida.
O professor foi sepultado no Cemitério da Saudade, na Zona Leste de São Paulo. O pedido de prisão temporária do suspeito foi encaminhado à Justiça.







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