A Polícia Civil realizou, neste sábado (19), uma operação para prender os suspeitos de envolvimento no atentado contra o bicheiro Vinícius Drumond, herdeiro do império deixado por Luizinho Drumond. A ação, ocorrida no último dia 11, é tratada como mais um capítulo da possível disputa entre Drumond e o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, que rompeu com o antigo aliado e hoje comanda uma facção rival no jogo do bicho. A informação é do jornal O Globo.
O carro blindado em que Drumond estava foi atingido por pelo menos 30 disparos de calibre 7.62, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Ele escapou sem ferimentos graves. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) aponta quatro suspeitos pelo ataque, entre eles um ex-PM e um policial militar da ativa, e apura se o crime foi ordenado por Adilsinho como forma de retaliação.
Ruptura e escalada de violência
A relação entre Drumond e Adilsinho, antes aliados no comando da contravenção, se deteriorou em meados de 2024. O ponto de ruptura teria sido a saída de Manuel Agostinho Rodrigues Miranda — ex-homem de confiança do clã Drumond, responsável pela gestão de bingos da família — para o grupo rival. Agostinho alegou aposentadoria, mas, segundo investigadores, migrou para a organização de Adilsinho.
A resposta veio em setembro: Agostinho foi executado a tiros dentro de um carro blindado em Del Castilho, Zona Norte. O ataque deixou o veículo com 38 marcas de disparos. A principal linha de investigação aponta Vinícius Drumond como possível mandante do assassinato.
No mês seguinte, o contra-ataque: o ex-PM André da Silva Aleixo, segurança de Vinícius, foi morto em um crime investigado como acerto de contas. Agora, o atentado de julho é visto como mais uma etapa da guerra silenciosa entre os dois grupos pelo domínio do jogo do bicho e do mercado ilegal de cigarros.
Pistoleiros, PMs e uma quadrilha a serviço da contravenção
Entre os suspeitos do ataque está Rafael Ferreira Silva, conhecido como Cachoeira, já mencionado em inquéritos sobre a máfia de cigarros e o “novo Escritório do Crime”, organização de matadores de aluguel ligada à cúpula da contravenção.
O nome de Cachoeira é citado em um funk criado por membros da quadrilha de Adilsinho para comemorar o assassinato de Marquinhos Catiri, miliciano rival do grupo.
A investigação revelou ainda que Cachoeira participou de um sequestro em 2022, em que uma mulher ligada ao comércio ilegal de cigarros foi levada à força por homens armados com coletes da Polícia Civil. Após o crime, um dos chefes da quadrilha, o policia militar Rafael do Nascimento Dutra, o Sem Alma, enviou dinheiro à companheira de Cachoeira por Pix — mais uma evidência das ligações do grupo com o submundo da contravenção.
Operação e foragidos
Na ação deste sábado, a Polícia Civil prendeu Deivyd Bruno Nogueira Vieira, o Piloto, ex-PM expulso da corporação por tráfico de drogas e receptação. Ele foi capturado em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e também autuado por porte ilegal de arma de uso restrito.
Seguem foragidos Rafael Ferreira Silva, Adriano Carvalho de Araújo e o policial militar Luís César da Cunha, lotado no 15º BPM (Duque de Caxias). A Polícia Civil busca capturá-los e esclarecer os bastidores da guerra entre os dois principais nomes da nova geração da contravenção no estado.
A ofensiva policial reforça a suspeita de que o ataque contra Vinícius Drumond não foi um episódio isolado, mas parte de uma disputa sangrenta pelo controle do jogo ilegal no Rio de Janeiro, marcada por traições, assassinatos e o envolvimento de agentes públicos.






Deixe um comentário