A Polícia Civil prendeu, neste sábado (19), um ex-policial militar envolvido na tentativa de assassinato ao bicheiro Vinicius Drumond, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.
Deiyvid Bruno Nogueira Vieira, o Piloto, foi preso com uma pistola 9mm. Segundo os agentes, ele foi expulso da corporação em 2024 após uma investigação comprovar seu envolvimento nos crimes de receptação de carros roubados e tráfico de drogas.
Os agentes deflagraram uma operação e tentam prender outros três envolvidos. Entre eles, está um militar da ativa lotado no 15º BPM (Duque de Caxias).
São procurados Rafael Ferreira Silva, o Cachoeira, Adriano Carvalho de Araújo e o PM Luis César da Cunha. Ainda conforme a Polícia Civil, Deiyvid e Rafael fazem parte de um milícia que atua em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e também são investigados pelo assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, no Centro do Rio, no ano passado.
Cachoeira foi preso em 2022 por três crimes: participação em sequestro, organização paramilitar e uso de arma de fogo de uso restrito. Conforme a Polícia Civil, a vítima do sequestro era ligada ao comércio de cigarros.
Agenda do Poder procurou a Polícia Militar, que informou que a Corregedoria acompanha a ação e colabora com as investigações e no cumprimento do mandado de prisão temporária contra Luis César.
Atentado contra bicheiro
O atentado contra Drumond aconteceu no último dia 11. A ação provocou intenso tiroteio e causou pânico entre motoristas e comerciantes na Avenida das Américas, nas proximidades do Barra Garden Shopping e da Estação Ricardo Marinho do BRT. Vinicius estava em um Porsche blindado, que foi alvejado diversas vezes por tiros de fuzil calibre 7.62.

O veículo passou por perícia e a porta do motorista e o vidro esquerdo ficaram com várias marcas de disparos. O caso seguiu inicialmente para a 16ª DP (Barra da Tijuca) e, posteriormente para a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), já que, embora sem vítimas fatais, os agentes o consideram priotário.
Vinicius Drumond foi levado para o Hospital Barra D’Or com ferimentos leves por estilhaços de vidro, recebeu atendimento na emergência e teve alta em seguida.
Quem é Vinicius Drumond?
Vinicius Drumond é filho e herdeiro do contraventor Luiz Pacheco Drummond, o Luizinho, histórico presidente da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, morto em 2020. Após a morte do pai, Vinicius passou a ser apontado como um dos integrantes da “nova cúpula” do jogo do bicho.
Segundo investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, ele herdou pontos estratégicos de exploração da contravenção na Zona da Leopoldina, região que abrange bairros como Ramos, Manguinhos, Maré, Bonsucesso, Complexo do Alemão, Penha, Parada de Lucas e Vigário Geral.
Em fevereiro deste ano, Vinicius foi alvo de uma operação que o identificou como chefe e financiador de uma quadrilha envolvida no furto de combustíveis dos dutos da Petrobras. De acordo com os investigadores, ele comandava o setor estratégico e financeiro do esquema, que operava no Rio de Janeiro e em outros estados. O grupo extraía derivados de petróleo para revendê-los como matéria-prima à indústria de asfalto, borracha e plástico.
Atualmente, o contraventor é patrono da Em Cima da Hora, escola da Série Ouro do Carnaval carioca.
Drumond foi citado nas investigações da DHC sobre o assassinato de Crespo. O caso envolve suspeitas de participação de policiais militares e possíveis conexões com grupos ligados à contravenção.
O PM Leandro Machado, um dos três presos por participação no crime, foi responsável por alugar o carro utilizado na vigilância da vítima dias antes do assassinato. O veículo foi locado na empresa Horizonte 16, cujo proprietário afirmou, em depoimento, que Vinicius Drumond indicou Machado para o aluguel. A Polícia Civil apura se o bicheiro seria o verdadeiro dono da locadora.
Leandro Machado é apontado nas investigações como segurança de Drumond. A mesma empresa de aluguel de veículos já havia aparecido em outro inquérito envolvendo uma quadrilha especializada em furtos de dutos de petróleo.
Além de Leandro, também foram presos Cesar e Eduardo, todos denunciados pelo homicídio de Rodrigo Crespo. A Justiça já aceitou a denúncia e tornou os três réus. Eles irão a júri popular, acusados de homicídio qualificado — por motivo torpe, com uso de emboscada e sem chance de defesa para a vítima.
As investigações ainda buscam identificar os mandantes e executores diretos do crime, que teria relação com disputas internas no jogo do bicho. O assassinato abalou alianças no submundo da contravenção, especialmente a relação entre Vinicius Drumond e Rogério de Andrade, outro nome conhecido do ramo.
A Polícia Civil segue com diligências para esclarecer todas as circunstâncias e conexões do crime.






Deixe um comentário