Os criminosos que metralharam o carro do bicheiro Vinicius Drumond, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, ainda sequestram uma mulher durante a fuga. A Polícia Civil fez uma operação, neste sábado (19), para prender os envolvidos no crime.
Segundo as investigações, armados com fuzis, os autores do atentado interceptaram um veículo em Guaratiba, Zona Oeste do Rio, e obrigaram a motorista a levá-los até Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
A vítima foi liberada às margens da Rodovia Presidente Dutra, onde os criminosos foram ‘resgatados’ por outro integrante da quadrilha.
Neste sábado (19), a Polícia Civil deflagrou uma operação para prender os envolvidos na tentativa de homicídio. Um ex-PM foi preso e um militar da ativa, lotado no 15º BPM (Duque de Caxias), está sendo procurado.
A investigação da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) reconstruiu em detalhes o passo a passo do crime e da fuga. Veja:
Atentado – Na tarde de 11 de julho, Vinícius Drummond teve seu carro alvejado com mais de 30 tiros, na Avenida Lúcio Costa, na Barra, quando saia da academia. Ele conseguiu escapar sem ferimentos graves.
Fuga inicial – Após o ataque, os dois carros usados pelos criminosos seguiram em alta velocidade pela Avenida das Américas e acessaram rotas distintas. Um dos veículos foi abandonado em Guaratiba, com um pneu estourado; o outro seguiu até Duque de Caxias.
Sequestro – Em Guaratiba, ao deixarem o carro, os criminosos renderam uma mulher e a obrigaram a transportá-los até Nova Iguaçu.
Resgate e dispersão – Eles desceram às margens da Via Dutra, onde um comparsa os aguardava em um carro clonado, dando sequência à fuga.
Prisão e procurados

Deiyvid Bruno Nogueira Vieira, o Piloto, foi preso com uma pistola 9mm. Segundo os agentes, ele foi expulso da corporação em 2024 após uma investigação comprovar seu envolvimento nos crimes de receptação de carros roubados e tráfico de drogas.
São procurados Rafael Ferreira Silva, o Cachoeira, Adriano Carvalho de Araújo e o PM Luis César da Cunha. Ainda conforme a Polícia Civil, Deiyvid e Rafael fazem parte de um milícia que atua em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e também são investigados pelo assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, no Centro do Rio, no ano passado.
Cachoeira foi preso em 2022 por três crimes: participação em sequestro, organização paramilitar e uso de arma de fogo de uso restrito. Conforme a Polícia Civil, a vítima do sequestro era ligada ao comércio de cigarros.
A Polícia Militar informou que a Corregedoria acompanha a ação e colabora com as investigações e no cumprimento do mandado de prisão temporária contra Luis César.
Quem é Vinicius Drumond?

Vinicius Drumond é filho e herdeiro do contraventor Luiz Pacheco Drumond, o Luizinho, histórico presidente da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, morto em 2020. Após a morte do pai, Vinicius passou a ser apontado como um dos integrantes da “nova cúpula” do jogo do bicho.
Segundo investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, ele herdou pontos estratégicos de exploração da contravenção na Zona da Leopoldina, região que abrange bairros como Ramos, Manguinhos, Maré, Bonsucesso, Complexo do Alemão, Penha, Parada de Lucas e Vigário Geral.
Em fevereiro deste ano, Vinicius foi alvo de uma operação que o identificou como chefe e financiador de uma quadrilha envolvida no furto de combustíveis dos dutos da Petrobras. De acordo com os investigadores, ele comandava o setor estratégico e financeiro do esquema, que operava no Rio de Janeiro e em outros estados. O grupo extraía derivados de petróleo para revendê-los como matéria-prima à indústria de asfalto, borracha e plástico.
Atualmente, o contraventor é patrono da Em Cima da Hora, escola da Série Ouro do Carnaval carioca.
Drumond foi citado nas investigações da DHC sobre o assassinato de Crespo. O caso envolve suspeitas de participação de policiais militares e possíveis conexões com grupos ligados à contravenção.
O PM Leandro Machado, um dos três presos por participação no crime, foi responsável por alugar o carro utilizado na vigilância da vítima dias antes do assassinato. O veículo foi locado na empresa Horizonte 16, cujo proprietário afirmou, em depoimento, que Vinicius Drumond indicou Machado para o aluguel. A Polícia Civil apura se o bicheiro seria o verdadeiro dono da locadora.
Leandro Machado é apontado nas investigações como segurança de Drumond. A mesma empresa de aluguel de veículos já havia aparecido em outro inquérito envolvendo uma quadrilha especializada em furtos de dutos de petróleo.
Além de Leandro, também foram presos Cesar e Eduardo, todos denunciados pelo homicídio de Rodrigo Crespo. A Justiça já aceitou a denúncia e tornou os três réus. Eles irão a júri popular, acusados de homicídio qualificado — por motivo torpe, com uso de emboscada e sem chance de defesa para a vítima.
As investigações ainda buscam identificar os mandantes e executores diretos do crime, que teria relação com disputas internas no jogo do bicho. O assassinato abalou alianças no submundo da contravenção, especialmente a relação entre Vinicius Drumond e Rogério de Andrade, outro nome conhecido do ramo.






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