A percepção dos brasileiros sobre apostas esportivas e jogos online ficou mais negativa nos últimos meses. Pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (15) mostra que aumentou o número de pessoas que associam as chamadas bets ao vício, enquanto caiu a parcela daqueles que enxergam a prática como entretenimento.
Segundo o levantamento, 57% dos entrevistados afirmam que apostas e jogos online provocam dependência. O índice representa uma alta em relação à pesquisa realizada em 2024, quando esse percentual era de 54%.
O estudo ouviu 1.970 pessoas em 139 municípios de todas as regiões do país e possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Imagem das apostas piora
Além do crescimento da percepção de que as bets podem causar vício, a pesquisa mostra que três em cada dez brasileiros consideram a atividade uma forma de perder dinheiro.
O percentual dos que enxergam as apostas como diversão caiu de 9% para 6%, enquanto apenas 1% dos entrevistados considera as bets uma forma de investimento ou geração de renda.
Os números indicam uma mudança gradual na forma como a população percebe o setor, que se expandiu rapidamente nos últimos anos após a regulamentação das apostas esportivas no Brasil.
Menos dinheiro comprometido com apostas
O levantamento também identificou redução no uso de recursos financeiros considerados mais sensíveis para bancar apostas.
A parcela de apostadores que utilizou dinheiro guardado na poupança caiu de 22% para 19%. Também diminuiu o número dos que deixaram de realizar compras para apostar, passando de 19% para 11%.
Outro dado que chamou atenção foi a queda entre aqueles que recorreram ao cartão de crédito para jogar, de 15% para 10%.
Já o percentual dos que pediram dinheiro emprestado para apostar caiu de 15% para 8%, enquanto os que deixaram de pagar contas para direcionar recursos às apostas passaram de 13% para 6%.
Endividamento preocupa especialistas
Para especialistas em finanças, os números podem refletir tanto uma maior conscientização sobre os riscos das apostas quanto os efeitos do crescimento do endividamento das famílias brasileiras.
O coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), Lauro Gonzalez, avalia que o fenômeno das apostas e o superendividamento caminham juntos.
Segundo ele, parte da redução observada pode estar relacionada ao fato de que muitos jogadores já atingiram limites financeiros que dificultam a continuidade das apostas no mesmo ritmo dos anos anteriores.
Quem continua apostando
Apesar da percepção mais negativa, o número de brasileiros que afirmam apostar regularmente permaneceu estável.
A pesquisa mostra que 7% da população adulta continua realizando apostas esportivas ou participando de cassinos online, percentual semelhante ao registrado no levantamento anterior.
O perfil predominante é formado por homens e jovens adultos. Entre os homens, 11% afirmam apostar atualmente, contra 3% das mulheres.
Na faixa etária entre 18 e 24 anos, o índice chega a 13%, enquanto entre 25 e 34 anos alcança 11%.
Frequência e gastos
Entre os apostadores ativos, 36% afirmam realizar apostas semanalmente. Cerca de 20% dizem apostar todos os dias.
Os gastos médios mensais também chamam atenção. Segundo o levantamento, quem participa de apostas esportivas desembolsa, em média, R$ 241 por mês. Nos cassinos online, a média de gastos mensais é de R$ 232.






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