PMs presos por fazerem a segurança do miliciano Taillon são submetidos ao Conselho Disciplinar da corporação e podem ser expulsos

Dois policiais militares presos esta semana fazendo a segurança do miliciano Taillon de Alcântara Pereira Barbosa foram submetidos ao Conselho Disciplinar da corporação. O procedimento é um dos passos no processo que pode resultar na expulsão do cabo Felipe Ferreira da Silva, lotado no QG da PM e do terceiro-sargento Bruno e Silva Affonso, lotado…

Dois policiais militares presos esta semana fazendo a segurança do miliciano Taillon de Alcântara Pereira Barbosa foram submetidos ao Conselho Disciplinar da corporação.

O procedimento é um dos passos no processo que pode resultar na expulsão do cabo Felipe Ferreira da Silva, lotado no QG da PM e do terceiro-sargento Bruno e Silva Affonso, lotado no 23º BPM (Leblon).

No encaminhamento para o Conselho Disciplinar, a corregedoria observa que “a conduta dos acusados revelam atitudes incompatíveis com a função policial militar”.

Além dos dois PMs, a ação da Polícia Federal e pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado do MP-RJ que resultou na prisão de Taillon e de seu pai, Dalmir Barbosa, também prendeu um militar da reserva, Adilson Alves Costa, que também estaria trabalhando para os milicianos.

Segundo a polícia, Felipe Ferreira da Silva trabalhava na Ajudância-Geral, uma das diversas unidades sediadas no Quartel-General da Corporação e desempenhava a função de cozinheiro.

Em depoimento na PF, o cabo disse que a prisão aconteceu no primeiro dia em que ele prestou serviço para o criminoso.

Nesta terça-feira, Taillon foi preso pela PF na Avenida Abelardo Bueno. Seu pai, Dalmir Barbosa foi preso, em casa, na Barra da Tijuca.

O sargento Bruno disse que foi contratado após a morte de quatro médicos na orla da Barra da Tijuca, em outubro. Na ocasião, traficantes assassinaram os ortopedistas por engano. O alvo do ataque era Taillon.

O superintendente da PF, o delegado Leandro Almada disse que não há problemas com a Polícia Militar e que a atuação apenas de policiais federais na operação desta terça (31) e quarta (1) foi estratégica:

“A PM é parceira da PF. Temos feito diversas operações. Não só troca de dados de inteligência, como operações. Na operação de ontem, como vocês viram no desdobramento de hoje, foi uma simples questão de estratégia. Nossa equipe identificou que existem alvos mais relevantes daquela organização criminosa e o start dessa operação se daria a partir da custódia, que era prioritária desses indivíduos exatamente por eles terem o comando nessa organização. Não houve necessidade. A gente tinha meio suficiente”.

O governo do estado divulgou a seguinte nota sobre a atuação de PMs como seguranças de milicianos:

“O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, determinou ao secretário de Polícia Militar, coronel Luiz Henrique Marinho Pires, que os policiais que faziam a escolta do miliciano Taillon de Alcântara Pereira Barbosa e de seu pai, Dalmir Barbosa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, sejam investigados e, caso sejam comprovados os crimes, responsabilizados com total rigor, incluindo a possível expulsão da corporação. O caso deve servir como exemplo para outros policiais que se envolvam com o crime organizado.

A 2° Delegacia de Polícia Judiciária Militar (2° DPJM), ligada à Corregedoria da Corporação, seguirá acompanhando as investigações do caso, que envolve ainda um sargento do Exército Brasileiro.

O Governo do Estado do Rio de Janeiro, incluindo a Secretaria de Polícia Militar, não compactua com quaisquer desvios de conduta ou crimes cometidos por policiais, punindo com rigor os envolvidos quando constatados os fatos”.

Já o Comando Militar do Leste disse que o segundo sargento Adilson Alves Costa não está mais na ativa.

“Em resposta à sua solicitação, a Seção de Comunicação Social do Comando Militar do Leste informa que o militar em questão já não faz mais parte do serviço ativo e o caso está a cargo dos órgãos de segurança pública.

Cabe reiterar que o Exército Brasileiro não compactua com irregularidades, repudiando atitudes e comportamentos que estejam em conflito com a lei, com os valores militares e com a ética castrense”.

De acordo com investigações da PF e do Gaeco há uma família no comando da milícia em Rio das Pedras, na Zona Oeste da cidade.

Além do chefe do grupo criminoso: Dalmir Pereira Barbosa, preso nesta terça-feira (31) e do filho, Taillon, a mulher de Dalmir e madrasta de Taillon, Cátia Gomes Prudente também faz parte da milícia.

Ela e outro filho de Dalmir, Társio de Alcântara Barbosa foram denunciados pelo Ministério Público. São acusados de lavagem de dinheiro da quadrilha. As investigações mostraram que os dois compraram bens para ocultar ganhos financeiros do crime.

Entre eles, uma casa, localizada na praia do Café, em Angra dos Reis. O imóvel fica na beira da praia que teve a compra registrada por R$ 300 mil, mas avaliada pelas investigações em R$ 2 milhões.

Tarsio e Cátia tiveram a prisão decretada.

Contabilidade apreendida pela polícia mostra que comerciantes, de grandes ou pequenos negócios são extorquidos com taxas que variam de R$ 10, como um vendedor de salgados, a outros comércios que chegam a pagar R$ 12 mil.

As instalações clandestinas de luz, também são alvo de extorsão.

Em um diálogo que consta da investigação, um integrante do grupo intimida um comerciante a fazer a ligação clandestina, no lugar de pagar a conta para a distribuidora de energia.

As extorsões são controladas, diariamente, com o envio de fotos para os membros da quadrilha, dizendo quem não pagou e por qual motivo.

“O Belo só vai pagar depois que arrumar a luz dele”, diz o MILICIANO

“A avenida areinha não tem dinheiro pra pagar hoje”, INFORMA O CRIMINOSO SOBRE OUTRO COMERCIANTE

Com informações do g1.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading