A prisão preventiva de Jair Bolsonaro reacendeu, com intensidade inédita, a movimentação do PL para retomar a discussão sobre anistia e acelerar a tramitação do chamado Projeto da Dosimetria no Congresso. Após uma reunião na tarde desta segunda-feira, parlamentares do partido afirmaram que pretendem intensificar articulações para levar o texto à votação ainda em 2025, mesmo com o discurso público de que a prioridade oficial continua sendo a anistia.
Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio, ressaltou que a oposição não adotará estratégias de obstrução e quer ver o Projeto da Dosimetria avançando no plenário. Mesmo assim, reforçou que o foco político do grupo permanece inalterado.
“Estamos com foco na anistia. Esse vai virar um assunto para 2026. Sempre deixamos bem claro que tipo de acordo não faríamos. Nosso compromisso não é com a dosimetria, é com a anistia”, afirmou. Ele também descreveu a postura do deputado Paulinho da Força como “transparente” nas conversas sobre o tema.
Segundo aliados, a prisão preventiva de Bolsonaro — decretada por risco de fuga, violação da tornozeleira eletrônica e suposta tentativa de mobilizar apoiadores — criou um “clima de urgência” dentro da oposição. Flávio voltou a criticar a decisão de Alexandre de Moraes:
“Está muito claro para a imprensa que a tornozeleira era o de menos. Quando veio o laudo médico provando quais eram os remédios que ele tinha tomado, o Moraes virou negacionista, ignorou a ciência.”
O senador também negou que a vigília organizada na última sexta-feira tivesse caráter político. “Chamei pessoas para orar e fomos criminalizados. Foi uma vigília pacífica. Ele entendeu que tem um poder sobrenatural de prever o futuro”, disse.
Nos bastidores, o senador Rogério Marinho, principal articulador da pauta, afirmou que há “amadurecimento” nas duas casas legislativas para colocar a dosimetria em votação.
“Queremos que o Parlamento cumpra seu papel. Queremos que cada deputado possa, de forma livre, colocar o que acredita. Estamos trabalhando para que aconteça o mais rápido possível.” Marinho também declarou que o PL votará contra a indicação de Jorge Messias ao STF.
O deputado Sóstenes Cavalcante reforçou que o tema não é novidade para a bancada.
“É só a pauta que temos desde fevereiro”, afirmou ao ser questionado sobre o retorno da discussão sobre anistia.
Ao final da reunião, Flávio Bolsonaro comentou que ainda não tinha visto o pai desde a prisão, mas que pretende visitá-lo com o irmão. Ele relatou preocupação com o estado de saúde do ex-presidente e destacou o depoimento de Michelle Bolsonaro, que participou do encontro. Segundo o senador, ela descreveu a rotina, o sofrimento da família e o temor de que Bolsonaro permaneça isolado.






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