A megaoperação policial que deixou mais de 60 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, nesta terça-feira (28), repercutiu amplamente na imprensa internacional. Veículos da Europa e da América Latina descreveram o Rio como uma cidade “em guerra”, diante da maior ação já realizada contra o Comando Vermelho (CV), segundo o governo estadual.
O jornal britânico The Guardian foi um dos mais enfáticos, afirmando que o Rio vive “o pior dia de violência da história”. A reportagem descreve “intensos tiroteios” nas favelas e relata que traficantes “incendiaram barricadas e carros” para conter o avanço policial. O jornal também classifica o CV como “um dos grupos do crime organizado mais poderosos do Brasil”.
Na mesma linha, o jornal argentino Clarín reportou que a ofensiva policial deixou “cenas de guerra” na cidade. Enquanto isso, o La Nación destacou o uso de veículos blindados, helicópteros e drones pelas forças policiais.

Drones, bombas e o “timing” da COP30
A agência de notícias Reuters, também do Reino Unido, chamou a atenção para o timing da megaoperação. A reportagem destaca que a ação ocorre “poucos dias antes de a cidade receber eventos que antecedem a COP30”, como o encontro global de prefeitos C40 e a premiação Earthshot, criada pelo príncipe William.
A agência lembrou que operações de grande escala são comuns no Rio antes de eventos internacionais, citando a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016 e a cúpula do G20 em 2024.

Na Europa continental, o jornal português Público destacou que os criminosos utilizaram “drones para lançar granadas” contra as forças de segurança. O espanhol El País noticiou os “intensos tiroteios” e a mobilização dos 2.500 policiais.
A rádio francesa RFI contextualizou a violência, lembrando que “operações policiais pesadas são comuns no Rio” e que, em 2024, “aproximadamente 700 pessoas morreram durante operações policiais no Rio, ou quase duas por dia”.
A repercussão negativa expõe a crise de segurança do estado em um momento em que o próprio governador, Cláudio Castro (PL), admitiu que o combate ao crime “passou dos limites” da capacidade estadual.






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