Crise política do Rio repercute na imprensa internacional e expõe instabilidade no estado

Reportagem da revista britânica The Economist aponta contraste entre alta do turismo e crise de governança, com críticas ao avanço do crime e à fragilidade institucional

A crise política e institucional do Rio de Janeiro já deixou de repercutir apenas no Brasil e passou a ganhar espaço na imprensa internacional. A tradicional revista britânica The Economist publicou, na última quinta-feira (16), uma reportagem em que trata o estado como um alerta para o restante do país.

Sob o título “Rio de Janeiro is a beautiful warning to the rest of Brazil” — “O Rio é um lindo alerta para o resto do Brasil” —, a publicação descreve o cenário fluminense a partir de um contraste: de um lado, o avanço do turismo internacional, que vive bons momentos, com a marca de 2,1 milhões de visitantes estrangeiros em 2025; de outro, uma sequência de crises políticas e institucionais. A revista recorre a uma imagem dura para definir o cenário atual: “Bem-vindo ao outro Rio de Janeiro: uma selva urbana densa, com os tentáculos do crime e da corrupção”, diz a matéria.

Na avaliação da publicação, o Rio reúne duas realidades que caminham em paralelo: enquanto mantém sua posição como vitrine internacional, enfrenta dificuldades para sustentar padrões estáveis de governança e presença do poder público em partes do território.

Matéria publicada pelo The Economist | Reprodução

Instabilidade no comando do estado

Um dos pontos centrais da reportagem é a conturbada sucessão no Palácio Guanabara. Atualmente, o Rio é governado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto, que assumiu após as renúncias e declarações de inelegibilidade, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do ex-governador Cláudio Castro e do ex-vice Thiago Pampolha. A revista menciona ainda a cassação do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, reforçando a imagem de um sistema político em constante colapso.

Outro eixo central da análise é a relação entre crime organizado e política. Segundo a revista, a atuação de facções e milícias passou a interferir diretamente na dinâmica econômica e institucional do estado, deixando de ser um fenômeno periférico.

Nesse contexto, a publicação sugere que a presença desses grupos impacta a capacidade do Estado de exercer funções básicas, como fiscalizar, arrecadar e garantir serviços públicos, além de influenciar o ambiente político.

Para ilustrar a conexão entre o crime organizado e a política institucional, a reportagem chega a citar o caso do assassinato da vereadora Marielle Franco. O texto menciona a condenação dos irmãos Brazão pelo Supremo Tribunal Federal como uma evidência da profundidade dessas ligações entre agentes públicos e estruturas criminosas.

Além do impacto político, a publicação traz dados econômicos para ilustrar a gravidade da situação. Citando estudos da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a reportagem indica que a violência provoca perdas anuais que variam entre R$ 10,7 bilhões e R$ 11,4 bilhões na economia do estado, o que representa cerca de 0,9% do PIB fluminense.

O diagnóstico final da publicação é de que o Rio serve como uma vitrine de perigos para a democracia brasileira, servindo de alerta para que o restante do país não siga o mesmo caminho de fragmentação da autoridade pública.

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