A megaoperação das polícias Civil, Militar e do Ministério Público nos complexos do Alemão e Penha, nesta terça-feira (28), deixou ao menos 64 mortos, 81 presos e apreendeu 93 fuzis — impactando milhares de pessoas na cidade, Região Metropolitana e Baixada Fluminense. Agenda do Poder reuniu os principais pontos.
- Balanço parcial (até 18h)
A ofensiva, que integra a chamada Operação Contenção, mobilizou cerca de 2,5 mil agentes com foco em lideranças e membros do Comando Vermelho nas 26 comunidades dos dois complexos. Até o momento, 60 suspeitos e 4 agentes de segurança morreram. Os policiais prenderam 81 traficantes e apreenderam 93 fuzis. Nove policiais ficaram feridos.
- Mobilidade urbana e transporte
Diversas vias nas zonas Norte, Centro, Oeste e Sudoeste foram interditadas em represália à ação, desde o início da tarde. Somente a Zona Sul não sofreu fechamentos. Rodovias como a RJ-101, que liga o Rio a outras cidades da Região Metropolitana, e BR-040, também registraram trânsito lento e pontos de fechamento.
Bandidos sequestraram mais de 70 ônibus e 120 linhas tiveram o itinerário modificado.
Vias interditadas (até 19h)
- Avenida Ayrton Senna, na altura da Ponte Santos Dumont, sentido Linha Amarela;
- Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, sentido Jacarepaguá;
- Avenida Chrisóstomo Pimentel de Oliveira, em Anchieta.
Vias liberadas
- Rua Riachuelo, altura da Avenida Gomes Freire, na Lapa;
- Linha Vermelha, sentido Centro, na altura da Maré;
- Avenida Ernani Cardoso, altura do supermercado Guanabara, em Cascadura;
- Linha Amarela, na Cidade de Deus;
- Rua Vinte e Quatro de Maio, no Sampaio;
- Rua Edgar Werneck, altura do Giro do Cebolinha, na Freguesia (Jacarepaguá);
- Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, sentido Jacarepaguá, no Lins;
- Linha Amarela, altura do pedágio, sentido Barra, em Água Santa;
- Linha Amarela, altura da Avenida Geremário Dantas, sentido Fundão, na Freguesia (Jacarepaguá);
- Linha Vermelha, ambos os sentidos, na Maré;
- Avenida Brasil, altura do viaduto de Deodoro, sentido Centro, em Deodoro;
- Avenida Brasil, pista lateral, altura do BRT Guadalupe, sentido Zona Oeste, em Guadalupe;
- Avenida Brasil, altura de Fazenda Botafogo, sentido Centro, em Barros Filho;
- Avenida Pastor Martin Luther King Junior, no Engenho da Rainha;
- Avenida Brasil, ambos os sentidos, em Benfica;
- Avenida Brasil, altura da saída da Ilha do Governador, sentido Centro, na Maré;
- Av. Paulo de Frontin, na altura da Rua do Bispo, sentido Centro;
- Praça Marechal Hermes, na altura do Inca, no Santo Cristo;
- Avenida Brasil, altura do Piscinão de Ramos, sentido Centro, na Maré;
- Av. Brasil, altura de Bonsucesso, sentido Zona Oeste;
- Linha Vermelha, sentido Baixada, na Pavuna;
- Linha Vermelha, sentido Zona Oeste, na altura de Bonsucesso
- Avenida Vinte de Janeiro, altura do Aeroporto Internacional, no Galeão;
- Avenida Marechal Rondon, em São Francisco Xavier;
- Estrada do Itararé, em Ramos;
- Avenida Itaóca, em Inhaúma;
- Rua Dias da Cruz, altura da Rua Camarista Méier, no Méier
- Rua Barão do Bom Retiro, próximo à Rua Araújo Leitão, no Engenho Novo;
- Estrada Miguel Salazar Mendes de Morais, na Taquara
- Avenida das Américas, nos dois sentidos, na altura da estação de BRT Pombal;
- Rua Edgard Werneck, na altura da Cidade de Deus.
- Unidades de saúde fechadas
Escolas e unidades de saúde locais foram diretamente impactadas. No Alemão, 28 escolas suspenderam o funcionamento; na Penha, 17 não abriram. Cinco unidades de Atenção Primária à Saúde interromperam atendimentos e visitas domiciliares.
Moradores relataram intenso tiroteio, uso de drones para lançamento de bombas e barricadas em chamas.
- Castro x Lewandowski
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, reagiu duramente às declarações do governador Cláudio Castro (PL), que responsabilizou o governo federal pela escalada da violência no estado. Em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Lewandowski afirmou que Castro precisa “assumir as suas responsabilidades” ou admitir que perdeu o controle da segurança pública.
“Se ele sentir que não tem condições, ele tem que jogar a toalha e pedir GLO ou intervenção federal”, disse o ministro, em referência à Garantia da Lei e da Ordem — medida que autoriza a atuação das Forças Armadas em situações excepcionais de segurança. “Ou ele faz isso, se não conseguir enfrentar, ou vai ser engolido pelo crime”, completou.
A resposta veio após o governador afirmar que o Rio “nunca teve o auxílio de blindados nem de agentes das forças federais” e que seus pedidos de apoio foram ignorados por Brasília. Lewandowski, no entanto, negou categoricamente essa versão e acusou Castro de tentar transferir responsabilidades.
“Ele tenta jogar a culpa nos outros, mas nunca fez qualquer pedido nesse sentido [de atuação das forças federais e da defesa, inclusive com blindados]”, afirmou. Segundo o ministro, para que o governo federal intervenha, o estado precisa formalizar uma declaração reconhecendo que suas forças de segurança não têm condições de enfrentar o crime organizado.
- Repercussão internacional
A ação repercutiu amplamente na imprensa internacional. Veículos da Europa e da América Latina descreveram o Rio como uma cidade “em guerra”.
O jornal britânico The Guardian foi um dos mais enfáticos, afirmando que o Rio vive “o pior dia de violência da história”. A reportagem descreve “intensos tiroteios” nas favelas e relata que traficantes “incendiaram barricadas e carros” para conter o avanço policial. O jornal também classifica o CV como “um dos grupos do crime organizado mais poderosos do Brasil”.
Na mesma linha, o jornal argentino Clarín reportou que a ofensiva policial deixou “cenas de guerra” na cidade. Enquanto isso, o La Nación destacou o uso de veículos blindados, helicópteros e drones pelas forças policiais.






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