PF pede que sete desembargadores sejam denunciados por corrupção em esquema de venda de sentenças

Relatório da Polícia Federal aponta participação de magistrados do Mato Grosso do Sul em organização criminosa que negociava decisões judiciais e falsificava documentos

A Polícia Federal concluiu que há provas robustas do envolvimento de sete desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) em um esquema de venda de sentenças judiciais. As informações foram reveladas em reportagem publicada pelo portal g1 nesta quinta-feira (24), com base em relatório entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O documento, resultado de três anos de investigação no âmbito da operação Ultima Ratio, solicita ao Ministério Público Federal (MPF) o oferecimento de denúncia contra os envolvidos por crimes como corrupção, falsificação de documentos públicos, extorsão e organização criminosa.

Segundo a PF, o grupo criminoso estava estruturado em dois núcleos principais. O primeiro, formado por Vladimir Abreu da Silva, Júlio Roberto Siqueira Cardoso, Alexandre Aguiar Bastos e Sideni Soncini Pimentel, teria atuado diretamente na venda de sentenças em um processo de inventário envolvendo uma fazenda. Já o segundo grupo, composto por Sérgio Fernandes Martins, Divoncir Schreiner Maran e Marcos José de Brito Rodrigues, também é acusado de manipular decisões judiciais para obter vantagens pessoais.

O conselheiro do TCE-MS, Osmar Domingues Jeronymo, é citado por falsificação de assinaturas na compra e venda da mesma fazenda, além de extorsão e participação em organização criminosa. O advogado Felix Jayme Nunes da Cunha é apontado como cúmplice nos mesmos crimes.

Em 2024, R$ 3 milhões em espécie apreendidos

Durante a deflagração da operação, em outubro de 2024, foram apreendidos mais de R$ 3 milhões em espécie, além de armas de fogo em residências de magistrados. Apenas na casa de um dos desembargadores foram encontrados R$ 2,7 milhões.

A operação, batizada de Ultima Ratio — expressão do latim usada no Direito para indicar a Justiça como último recurso do Estado — teve origem em decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Dois dias após a deflagração, o caso foi remetido ao STF, sob relatoria do ministro Cristiano Zanin.

Na última terça-feira (22), Zanin decidiu prorrogar por mais 180 dias o afastamento dos desembargadores e do conselheiro do TCE, todos ainda sem o uso de tornozeleiras eletrônicas. A medida tem o objetivo de preservar a integridade das investigações.

As defesas de Vladimir Abreu, Alexandre Bastos, Sideni Pimentel, Marcos Rodrigues, Júlio Cardoso, Divoncir Maran, Osmar Jeronymo e Felix Jayme foram procuradas pelo g1, mas não se manifestaram até o fechamento da reportagem. A defesa de Sérgio Fernandes Martins afirmou que se pronunciará apenas nos autos.

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