Janja chama Malafaia de ‘insignificante’ e reage a críticas sobre encontros com evangélicas

Primeira-dama rebate declaração do pastor durante evento do PT e defende diálogo com mulheres evangélicas de diferentes perfis

A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, reagiu nesta segunda-feira (8) às críticas feitas pelo pastor Silas Malafaia sobre seus encontros com mulheres evangélicas. Durante participação no quarto Encontro Nacional de Evangélicos do PT, ela respondeu diretamente a uma declaração do líder religioso e afirmou que considera importante ouvir mulheres de diferentes realidades, independentemente de sua projeção pública.

A manifestação de Janja ocorreu ao comentar uma entrevista concedida por Malafaia em 2025, quando o pastor afirmou que as reuniões promovidas pela primeira-dama não contavam com “nenhuma mulher de expressão no mundo evangélico”, informa O Globo.

Segundo Janja, a fala desconsidera a relevância das pessoas com quem ela se reuniu ao longo dos últimos meses. Ao responder ao religioso, a primeira-dama elevou o tom das críticas.

“Não chamo ele de pastor. Ele teve a cara de pau de ir à rede social e falar que eu estava conversando com mulheres insignificantes. Insignificante é ele. Porque toda mulher para mim é importante. Não importa se fiz uma reunião com duas, três, duzentas ou mil. O importante é que conversei. Ouvi elas”, declarou.

Aproximação com o público evangélico

A participação de Janja no evento integra uma estratégia mais ampla de aproximação do governo federal com segmentos evangélicos, grupo que tem crescido de forma consistente nas últimas décadas e representa uma parcela significativa do eleitorado brasileiro.

Desde o início desse movimento, a primeira-dama tem participado de cultos, encontros e entrevistas voltadas ao público evangélico. Em ocasiões anteriores, ela afirmou sentir-se acolhida nesses ambientes e destacou a importância das conversas mantidas com mulheres ligadas às igrejas.

Durante o encontro promovido pelo PT, que reuniu parlamentares, dirigentes partidários e lideranças religiosas, Janja reforçou a necessidade de ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade, incluindo aqueles que tradicionalmente mantêm posições divergentes em relação ao governo.

Crescimento do segmento evangélico

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram o crescimento acelerado da população evangélica no país. Em 2002, esse grupo representava 15,1% dos brasileiros, cerca de 26 milhões de pessoas. Em 2010, o percentual subiu para 21,6%.

Já o Censo de 2022 apontou que os evangélicos passaram a representar 26,9% da população brasileira, o equivalente a aproximadamente 57 milhões de pessoas.

O peso político desse segmento também aparece nas pesquisas de opinião. Levantamento Genial/Quaest divulgado em maio mostrou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registra 65% de desaprovação entre os evangélicos. Apesar do índice elevado, houve leve melhora em relação ao mês anterior, quando a desaprovação alcançava 68%. A aprovação passou de 28% para 30% no mesmo período.

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