PF investiga offshore ligada a amigo de Toffoli após compra de imóvel de US$ 3,6 milhões

A empresa apontada pela Polícia Federal como possível destinatária de pagamentos ligados ao caso Master controla uma offshore que comprou apartamento na planta em Miami; ministro nega ter imóvel no exterior

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A offshore Egide I Holding Limited, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas e citada pela Polícia Federal (PF) nas investigações envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, controla uma empresa que comprou um apartamento de US$ 3,6 milhões em Miami, nos Estados Unidos.

Documentos obtidos pelo Estadão mostram que o imóvel fica no empreendimento 888 Brickell Miami, que ainda está em construção e é anunciado como o prédio mais alto de Miami. A unidade adquirida é a 41B e está prevista para ser entregue em 2030, quando o edifício deverá ter 90 andares.

A compra foi feita pela Lino Properties, empresa registrada em Delaware, nos Estados Unidos. A companhia tem como única sócia, com 100% do capital, a Egide I Holding Limited, registrada em Road Town, capital das Ilhas Virgens Britânicas.

Estrutura das empresas

Segundo os documentos, o empresário Alberto Leite é o proprietário da estrutura formada pelas empresas registradas nos chamados paraísos fiscais. Leite é apontado como amigo de Dias Toffoli.

A Egide I é a offshore mencionada pela PF nas investigações. Após comprar um fundo que investia no resort Tayayá, empreendimento ligado à família de Toffoli em Ribeirão Claro, no Paraná, Leite transferiu dinheiro para uma offshore que aparece na estrutura societária relacionada à aquisição do apartamento em Miami.

A PF busca esclarecer o destino de recursos enviados para fora do Brasil e a eventual relação dessas movimentações com o caso envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro.

Ministro nega ter imóvel no exterior

Procurado pelo Estadão, Dias Toffoli afirmou que não tem e nunca teve imóvel no exterior. O ministro também declarou que toda a movimentação financeira relacionada à venda de sua participação no Tayayá e os atos referentes à negociação das cotas foram informados à Receita Federal e à Junta Comercial.

Toffoli afirmou ainda que jamais realizou qualquer operação, direta ou indiretamente, nas Ilhas Virgens Britânicas.

O ministro foi relator das investigações sobre o Banco Master no STF entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026. Sua saída do caso ocorreu após a repercussão da venda de sua participação no Tayayá para Vorcaro. A relatoria passou então para o ministro André Mendonça.

Relação com o caso Master

Toffoli não se declarou suspeito ou impedido naquele momento. Ele solicitou a redistribuição do processo, que ficou sob responsabilidade de Mendonça.

Na ocasião em que a saída de Toffoli foi acertada, ministros do STF divulgaram uma nota pública em apoio ao colega. O documento afirmou que os atos praticados por Toffoli na condução do caso eram válidos e registrou apoio pessoal ao ministro.

Um mês depois, Toffoli passou a se declarar suspeito em julgamentos relacionados ao caso Master.

Imóvel ainda está em construção

O apartamento de US$ 3,6 milhões está em um empreendimento associado à marca italiana Dolce & Gabbana. O 888 Brickell Miami ainda está em construção e terá 90 andares quando concluído.

A unidade foi adquirida pela Lino Properties, cuja estrutura societária leva à Egide I Holding Limited. A empresa das Ilhas Virgens Britânicas é justamente a offshore mencionada pela PF nas apurações.

A investigação busca identificar o caminho dos recursos transferidos para fora do país e esclarecer a relação entre as empresas envolvidas nas operações.

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