A Polícia Federal cumpriu nesta segunda-feira um mandado de busca e apreensão em Brasília contra Humberto Fontoura Pradera, ex-servidor do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele é suspeito de facilitar o acesso do advogado Willer Tomaz a informações de processos em tramitação na Corte.
A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito. Batizada de Operação Linceu, a investigação apura suspeitas de violação de sigilo funcional, peculato eletrônico, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
Tomaz é amigo do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. Os dois estão sendo investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) em inquérito sobre suposta lavagem de dinheiro. A operação desta segunda-feira foi determinado dentro desse inquérito, informa o g1.
Relatório aponta troca de informações sobre processos
Segundo relatório da PF, Pradera, que atuava na área de tecnologia do STJ, teria repassado a Tomaz informações sobre demandas internas do tribunal. Em mensagens citadas pelos investigadores, o ex-servidor teria dito que duas pessoas foram designadas para tratar de determinado assunto e que manteria o advogado informado.
A investigação também aponta o envio de uma fotografia de um documento exibido na tela de um computador. Em outra conversa, ao ser questionado sobre o número de um processo, Pradera teria indicado o REsp 2.122.969 e comentado que uma tutela havia perdido efeito após o julgamento.
Pradera ocupou o cargo de secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do STJ e, anteriormente, foi assessor-chefe da área de inteligência artificial. Segundo a apuração, sua atuação no tribunal envolveu projetos de transformação digital e sistemas internos.
PF apura atuação financeira e jurídica de advogado
A investigação sobre Tomaz também examina movimentações financeiras e sua atuação em processos de interesse econômico. No eixo financeiro, a PF identificou cerca de R$ 130 milhões em transações no Magnum Bank entre março e maio de 2025. O relatório descreve grandes entradas, fracionamento de valores, triangulações e repasses entre empresas e plataformas de apostas.
No campo jurídico, os investigadores suspeitam que o advogado tenha recebido antecipadamente votos, ementas e decisões judiciais, além de influenciar a desistência de recursos e enviar orientações para a elaboração de pareceres do Ministério Público Federal. Essas conclusões fazem parte da investigação e não representam, por si só, comprovação de irregularidades.
Tomaz nega acesso irregular
Tomaz nega ter obtido acesso irregular a decisões ou pareceres e afirma que não interferiu em manifestações. Em nota, declarou que a ciência antecipada de julgados pode decorrer de funcionalidades do sistema do STJ e que argumentos apresentados por advogados podem ser incorporados a pareceres. Também repudiou a divulgação seletiva de material sigiloso e afirmou que os responsáveis pelo vazamento devem ser identificados.
O advogado sustenta que transformar práticas processuais em suspeita criminal equivale a criminalizar a advocacia. A investigação da PF segue sob supervisão do STF.







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