A Polícia Federal identificou inconsistências técnicas e lacunas no material enviado ao Supremo Tribunal Federal sobre a megaoperação Contenção, realizada no Rio de Janeiro no ano passado contra integrantes do Comando Vermelho.
Em parecer encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes nesta segunda-feira (6), a corporação relata problemas como arquivos com erro de leitura, ausência de códigos de verificação e falta de registros audiovisuais de equipes da Polícia Militar.
Falhas comprometem análise
De acordo com a Polícia Federal, cerca de 400 horas de gravações foram entregues para avaliação. No entanto, as inconsistências encontradas dificultam o exame completo do material no prazo inicialmente estipulado pelo STF, de 15 dias.
Diante disso, a corporação solicitou a ampliação do prazo para 90 dias, argumentando que o conjunto de provas apresentado é insuficiente para uma análise conclusiva.
“Ademais, verificou-se a incompletude do acervo probatório recebido, o qual refere-se exclusivamente às imagens captadas pelas câmeras corporais dos agentes da CORE/PCERJ, sendo que, até o presente momento, não foi recebido qualquer acervo audiovisual relativo às equipes da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ)”, afirma a PF.
Material restrito à Polícia Civil
A Polícia Federal também informou que, até agora, teve acesso apenas às gravações das câmeras corporais de agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e de outras unidades da Polícia Civil, sem receber imagens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), que foi a unidade da Polícia Militar com maior efetivo empregado na operação
A ausência de gravações da Polícia Militar é apontada como uma das principais lacunas. A falta desses dados compromete a reconstrução completa dos fatos e a verificação das circunstâncias da ação.
Operação teve alto número de mortes
Deflagrada em outubro do ano passado, a Operação Contenção teve como objetivo cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho, incluindo lideranças de outros estados que estariam escondidas em comunidades do Rio.
Alvo principal segue foragido
Um dos principais alvos da operação era Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como uma das principais lideranças da facção em áreas como o Complexo da Penha e comunidades da zona oeste.
Segundo investigações, ele é suspeito de envolvimento em mais de 100 homicídios, incluindo casos com vítimas menores de idade e desaparecimentos de moradores. Até o momento, o criminoso permanece foragido.
A análise do material encaminhado ao STF deve prosseguir após a definição sobre o prazo solicitado pela Polícia Federal, enquanto o caso segue sob acompanhamento das autoridades judiciais.






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