A disputa pela Presidência da República tem um cenário particularmente desfavorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo, principal colégio eleitoral brasileiro. Pesquisa Ideia divulgada nesta segunda-feira (10) mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do petista tanto no primeiro turno quanto em uma eventual disputa direta na segunda etapa da eleição.
No cenário estimulado de primeiro turno, Flávio aparece com 37% das intenções de voto entre os paulistas, cinco pontos à frente de Lula, que registra 32%. A diferença supera a margem de erro do levantamento, de 2,3 pontos percentuais para mais ou para menos.
O resultado ganha relevância pelo peso de São Paulo na eleição nacional. O desempenho no estado tradicionalmente ocupa posição central nas estratégias presidenciais, devido ao elevado número de eleitores e à capacidade de uma diferença expressiva nas urnas paulistas influenciar o resultado nacional.
A pesquisa revela ainda que Flávio consolida uma vantagem sobre Lula quando os dois são colocados frente a frente. Em eventual segundo turno, o senador alcança 44%, enquanto o presidente tem 39%.
Outros 7% responderam que votariam em branco, anulariam o voto ou não escolheriam nenhum dos dois. A parcela de indecisos chega a 10%.
Flávio lidera primeiro turno e adversários ficam distantes
A vantagem de Flávio e Lula sobre os demais candidatos é ampla no cenário de primeiro turno apresentado aos entrevistados.
Enquanto o senador marca 37% e o presidente, 32%, Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) aparecem empatados, cada um com 5% das intenções de voto.
Romeu Zema (Novo) registra 3%, seguido por Augusto Cury (Avante), com 2%. Samara Martins (UP) e Cabo Daciolo (Mobiliza) aparecem com 1% cada.
Edmilson Costa (PCB) registra 0,3%, enquanto Rui Costa Pimenta (PCO) e Hertz Dias (PSTU) têm 0,1% cada.
Os eleitores que dizem votar em branco, anular ou não escolher nenhum candidato somam 5%. Outros 8% não sabem em quem votar.
Confira os números do primeiro turno em São Paulo:
Flávio Bolsonaro (PL): 37%
Lula (PT): 32%
Ronaldo Caiado (PSD): 5%
Renan Santos (Missão): 5%
Romeu Zema (Novo): 3%
Augusto Cury (Avante): 2%
Samara Martins (UP): 1%
Cabo Daciolo (Mobiliza): 1%
Edmilson Costa (PCB): 0,3%
Rui Costa Pimenta (PCO): 0,1%
Hertz Dias (PSTU): 0,1%
Ninguém/Branco/Nulo: 5%
Não sabe: 8%
Segundo turno mostra Flávio na frente e equilíbrio nos demais cenários
O levantamento testou quatro possibilidades de segundo turno envolvendo Lula. O melhor resultado de Flávio Bolsonaro entre as simulações ocorre justamente no confronto direto com o presidente.
Flávio chega a 44% das intenções de voto, contra 39% de Lula, uma diferença de cinco pontos percentuais. Como a margem de erro é de 2,3 pontos, os intervalos máximos de variação dos dois candidatos não se sobrepõem.
No confronto contra Ronaldo Caiado, Lula também aparece numericamente atrás. O candidato do PSD registra 41%, enquanto o presidente tem 39%. Nesse caso, porém, a diferença de dois pontos está dentro da margem de erro e caracteriza empate técnico.
Quando os adversários são Renan Santos ou Romeu Zema, a situação se inverte, mas as diferenças continuam dentro da margem.
Lula marca 39% diante de Renan Santos, que tem 36%. Nesse cenário, chama atenção a quantidade de eleitores que ainda não apresentam uma escolha definida: 16% não sabem em quem votar, enquanto outros 9% apontam branco ou nulo.
Contra Zema, a distância é ainda menor. Lula registra 39% e o ex-governador mineiro, 38%. Os indecisos chegam a 15%, além de 9% de votos brancos ou nulos.
Os cenários de segundo turno são:
Flávio Bolsonaro (PL): 44%
Lula (PT): 39%
Branco/Nulo: 7%
Não sabe: 10%
Lula (PT): 39%
Renan Santos (Missão): 36%
Branco/Nulo: 9%
Não sabe: 16%
Lula (PT): 39%
Romeu Zema (Novo): 38%
Branco/Nulo: 9%
Não sabe: 15%
Ronaldo Caiado (PSD): 41%
Lula (PT): 39%
Branco/Nulo: 9%
Não sabe: 11%
Lula aparece na frente na pesquisa espontânea
O quadro muda quando os entrevistadores não apresentam previamente uma lista de candidatos. Na pesquisa espontânea, Lula aparece como o nome mais lembrado pelos eleitores paulistas.
O presidente é citado por 25% dos entrevistados, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 19%. A diferença de seis pontos mostra que Lula, apesar de ficar atrás do adversário nos cenários estimulados, mantém maior nível de lembrança espontânea no estado.
Ronaldo Caiado aparece numericamente em terceiro lugar, com 3%, seguido por Renan Santos, com 2%.
Romeu Zema, Augusto Cury e o ex-presidente Jair Bolsonaro são mencionados espontaneamente por 1% dos entrevistados cada.
Jair Bolsonaro está inelegível e, segundo as informações apresentadas no levantamento, encontra-se preso pela participação na trama golpista.
Na modalidade espontânea, 12% dos entrevistados disseram votar em branco, anular ou não escolher ninguém.
A diferença entre as pesquisas espontânea e estimulada é um dos aspectos relevantes do levantamento. Enquanto Lula apresenta maior lembrança quando o eleitor precisa mencionar sozinho um nome, Flávio assume a dianteira quando os candidatos são apresentados aos entrevistados.
São Paulo ganha peso na estratégia presidencial
O resultado paulista apresenta um retrato distinto de levantamentos nacionais que apontam uma disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro.
A vantagem do senador em São Paulo também evidencia a importância da distribuição regional dos votos. Uma eleição presidencial não depende apenas do percentual nacional de cada candidato, mas da capacidade das campanhas de ampliar vantagens em seus principais redutos e reduzir diferenças nas regiões mais favoráveis aos adversários.
Nesse sentido, São Paulo tende a ocupar posição estratégica para as duas principais campanhas. Para Flávio, o desafio será preservar ou ampliar a vantagem apontada pelo levantamento. Para Lula, o desempenho paulista representa um obstáculo relevante na tentativa de equilibrar a votação obtida em regiões nas quais possui maior apoio eleitoral.
O próprio levantamento mostra, contudo, que parcela considerável do eleitorado ainda pode alterar o cenário. Dependendo do confronto de segundo turno, a soma de indecisos e eleitores inclinados a votar branco ou nulo varia de 17% a 25%.
Esse contingente passa a ser especialmente importante nos cenários em que as diferenças entre os candidatos estão dentro da margem de erro.
Pesquisa ouviu 1.800 eleitores paulistas
O levantamento do instituto Ideia ouviu 1.800 eleitores do estado de São Paulo entre os dias 5 e 8 de agosto.
A margem de erro é de 2,3 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo SP-04956/2026.







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