Uma pesquisa Atlas/Estadão divulgada nesta terça-feira (22) aponta que 60,5% dos entrevistados consideram que já existem indícios suficientes para o impeachment imediato do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em relação a Alexandre de Moraes, 49,8% deram a mesma resposta.
O levantamento também apresentou uma segunda possibilidade aos entrevistados: o afastamento somente depois que uma investigação comprovasse eventual envolvimento dos ministros no caso Banco Master. Nessa situação, 26,1% escolheram essa alternativa para Toffoli, enquanto 31,9% fizeram a mesma avaliação sobre Moraes.
Entre os entrevistados, 6,5% afirmaram ser contrários ao impeachment de Toffoli e 15,1% disseram o mesmo em relação a Moraes. Outros 6,8% não souberam responder sobre Toffoli, enquanto o índice foi de 3,2% no caso de Moraes.
Pesquisa ocorre durante investigação sobre o Banco Master
O levantamento foi realizado depois de uma sessão do STF que discutiu a abertura de investigação envolvendo Moraes e em meio às apurações relacionadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. Segundo reportagens baseadas em informações da Polícia Federal, mensagens extraídas do celular do banqueiro registraram contatos com pessoas ligadas ao ministro e referências a assuntos relacionados ao banco.
Também foram divulgadas informações sobre contratos entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Conforme os dados apresentados nas reportagens, um dos contratos teria valor de R$ 131 milhões e outro chegaria a R$ 50 milhões, envolvendo cotas de duas aeronaves.
As mensagens também registraram a emissão, em outubro de 2025, de cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro, segundo informações atribuídas aos dados obtidos pela Polícia Federal.
Toffoli aparece em apurações sobre resort no Paraná
A situação de Dias Toffoli passou a ser relacionada ao caso após informações sobre o resort Tayayá, no interior do Paraná. O empreendimento tinha participação de um fundo cujo beneficiário final era Fabiano Zettel, apontado nas investigações como cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro.
Toffoli havia sido relator no STF dos processos ligados à Operação Compliance Zero, mas deixou a condução do caso depois que vieram a público informações sobre sua relação econômica com o banqueiro. A relatoria foi posteriormente redistribuída ao ministro André Mendonça.
O percentual de entrevistados que defendem o impeachment imediato de Toffoli também aumentou em relação a uma pesquisa anterior do AtlasIntel. Em março, 49,3% haviam escolhido essa alternativa; no novo levantamento, o índice chegou a 60,5%.
Outros ministros também aparecem nas apurações
As investigações relacionadas ao Banco Master também levaram à divulgação de informações envolvendo pessoas próximas a outros ministros do STF.
Mensagens atribuídas a Vorcaro indicaram um pagamento de R$ 500 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. No caso de Luiz Fux, registros mostraram conversas entre o banqueiro e o advogado Rodrigo Fux, filho do magistrado.
Também foram registrados encontros de Vorcaro com os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes. Mendonça confirmou uma reunião com o banqueiro em uma instituição de ensino ligada a ele e posteriormente deixou a sociedade da entidade. Gilmar confirmou ter se reunido com Vorcaro e dois advogados do Banco Master para tratar de uma causa de interesse do banqueiro.
Os dados da pesquisa representam as respostas dos entrevistados e não constituem, por si só, uma conclusão sobre eventual responsabilidade jurídica dos ministros.
Metodologia do levantamento
A pesquisa Atlas/Estadão ouviu 1.852 brasileiros entre 17 e 21 de setembro, por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro informada é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.






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