Em julho de 2025, enquanto o Banco Master era investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF), o advogado Walfrido Warde sugeriu ao banqueiro Daniel Vorcaro procurar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para tentar evitar uma eventual liquidação da instituição.
A sugestão aparece em mensagens encontradas no celular de Vorcaro e ocorre no momento em que o Banco Central (BC) discutia internamente os caminhos para o futuro do Master. Entre as alternativas estava uma possível intervenção na instituição.
A apuração foi publicada pela jornalista Malu Gaspar, em O Globo. Segundo as mensagens, Warde encaminhou a Vorcaro uma conversa recebida de uma pessoa não identificada, na qual aparecia a referência ao ‘PR’, jargão em Brasília para presidente da República, e ao ex-ministro Guido Mantega, então consultor do Master.
Mensagem cita tentativa de buscar outra saída
Em 23 de julho de 2025, Warde enviou ao banqueiro uma mensagem na qual dizia ter descoberto que o presidente havia falado com Guido Mantega por telefone. O texto afirmava ainda que, diante da ausência de uma solução, seria necessário “dar outro jeito”.
Na sequência, Vorcaro respondeu apenas “Alexandre”, em referência a Alexandre de Moraes. Warde então respondeu: “Sim. Vou pavimentar”, indicando que pretendia trabalhar para viabilizar esse contato.
No mesmo dia, antes da troca de mensagens, o advogado havia tentado falar com Vorcaro por telefone. Como o banqueiro não atendeu, Warde escreveu que estava com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que ocupava naquele período o cargo de chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Vorcaro respondeu que poderia falar em dez minutos. Pouco depois, Warde encaminhou a mensagem relacionada ao “PR”, supostamente uma abreviação usada para presidente da República.
Banco Central já discutia intervenção no Master
Naquele período, a situação financeira do Master vinha se deteriorando, enquanto as investigações sobre a instituição avançavam. Em abril de 2025, o MPF havia aberto um inquérito para apurar o negócio de R$ 12 bilhões envolvendo o Master e o Banco de Brasília (BRB).
O Banco Central informou ao MPF, em 15 de julho, que havia identificado, no primeiro semestre de 2025, cessões de créditos inexistentes ao BRB adquiridos pelo Master de uma terceira empresa. Segundo o relato encaminhado ao Ministério Público, os fatos apresentavam indícios de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
A possibilidade de intervenção provocou divergências dentro do próprio Banco Central. A área de Supervisão defendia uma chamada “solução de mercado”, que envolvia a venda do Master ao BRB. Já a diretoria de Organização do Sistema Financeiro, comandada por Renato Gomes, defendia a intervenção.
Moraes teria procurado Galípolo durante a crise
Segundo a apuração da coluna de Malu, foi nesse período que Alexandre de Moraes procurou o então presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para tratar de questões relacionadas ao Banco Master.
Pelo menos três desses contatos ocorreram por telefone. Em outra ocasião, Moraes teria se reunido pessoalmente com Galípolo para conversar sobre os problemas enfrentados pela instituição de Daniel Vorcaro.
De acordo com a apuração publicada anteriormente pela coluna, Moraes teria pedido a Galípolo que ajudasse na aprovação do negócio envolvendo o Master. O presidente do BC teria respondido que isso não seria possível porque já existia uma investigação de fraude em andamento.
Em manifestação divulgada na época, Moraes afirmou que seu encontro com Galípolo havia tratado das implicações da Lei Magnitsky, sanção aplicada contra ele pelo governo de Donald Trump, e negou ter discutido questões relacionadas ao Banco Master. O Banco Central, por sua vez, informou que as reuniões entre Galípolo e Moraes trataram dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky.
Negócio com o BRB acabou vetado
Enquanto as negociações avançavam, Vorcaro acompanhava a deterioração da situação do banco. Em uma mensagem enviada a Warde em 27 de junho de 2025, o banqueiro mencionou a atuação de Renato Gomes e afirmou acreditar que as operações envolvendo as carteiras do Master seriam contestadas.
A expectativa, porém, não se confirmou. Conforme o material apurado pela coluna, a possibilidade de aprovação da operação com o BRB foi se tornando cada vez mais distante.
O Banco Central acabou vetando definitivamente o negócio com o BRB em 3 de setembro. O episódio ocorreu após meses de discussões internas sobre o futuro do Master e de investigações envolvendo as operações da instituição.
O material também registra que Vorcaro seria preso posteriormente e que a liquidação do Banco Master foi anunciada no dia seguinte à primeira prisão mencionada na reportagem.







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