O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na noite desta quarta-feira (23), que pretende acabar com as bets no Brasil e mandou um recado aos clubes de futebol que dependem do patrocínio das empresas de apostas. Durante encontro com artistas e representantes da cultura na Fundição Progresso, na Lapa, Lula disse que os times terão de aprender a sobreviver sem esses recursos.
“Nós vamos acabar com as bets”, afirmou Lula. Em seguida, ao tratar da dependência financeira dos clubes em relação às empresas do setor, acrescentou que os times terão que aprender a viver sem esse dinheiro.
O presidente disse ter tomado conhecimento de um documento elaborado por clubes de futebol com críticas à possibilidade de encerramento das atividades das bets. Segundo Lula, o argumento apresentado seria de que uma medida desse tipo prejudicaria financeiramente o futebol brasileiro.
Lula cita campeões sem dinheiro das bets
Para contestar o argumento, Lula recorreu à história do futebol brasileiro e citou clubes que conquistaram títulos internacionais muito antes da expansão das empresas de apostas esportivas no país.
O presidente lembrou o Santos de Pelé, o Flamengo campeão mundial de 1981, o Internacional, o Corinthians e o São Paulo. Também mencionou os títulos da Seleção Brasileira nas Copas do Mundo.
“Eu lembro que o Flamengo foi campeão do mundo e não tinha bet. Eu lembro que o Corinthians foi campeão do mundo e não tinha bet. Eu lembro que o Internacional foi campeão do mundo e não tinha bet”, afirmou.
Lula também mencionou o São Paulo, tricampeão mundial, e as conquistas brasileiras nas Copas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 para reforçar o argumento.
“E os times eram muito melhores do que agora”, disse.
O presidente pediu ainda que dirigentes de clubes reflitam sobre a relação entre futebol e empresas de apostas.
Dinheiro dos mais pobres
Lula argumentou que os próprios torcedores já contribuem financeiramente com seus clubes ao comprar camisas, ingressos e outros produtos. Segundo ele, parte do dinheiro destinado às bets vem justamente de pessoas de baixa renda.
“O torcedor pobre vai no campo. Ele compra uma camisa do time e paga pela propaganda que está lá. E ele compra a camisa para ele, para a mulher dele, para o filho dele. Ele está ajudando o clube”, afirmou.
Na sequência, criticou a dependência de recursos das apostas: “Fica financiando os clubes com quem? Com o dinheiro do pobre”.
Lula associou as apostas a problemas financeiros e sociais e afirmou ter tido contato recentemente com pessoas que acumularam dívidas. Em um dos casos relatados no discurso, segundo o presidente, um homem teria chegado a uma dívida de R$ 2,2 milhões e vendido imóveis para tentar arcar com os compromissos.
Juventude e plataformas digitais
A discussão sobre as bets surgiu durante um trecho do discurso dedicado à juventude. Lula defendeu que políticas públicas voltadas aos jovens sejam construídas a partir da escuta desse público, em vez de serem formuladas exclusivamente “de cima para baixo”.
“Eu acho que a melhor forma da gente aprender a fazer é a gente deixar a juventude falar. É permitir que ela fale, que ela diga o que ela quer, para ela não receber políticas prontas de cima para baixo”, declarou.
O presidente também demonstrou preocupação com a influência das plataformas digitais sobre crianças e adolescentes e defendeu maior regulamentação.
“Eu terei o imenso prazer de regulamentar plataformas, como nós fizemos com o ECA Digital”, afirmou.
Decisão contra as bets
Na parte mais enfática do discurso, Lula rejeitou a ideia de tratar o tema apenas como uma disputa política e apresentou o fim das bets como uma decisão de seu governo.
“Essa não é uma guerra, é uma decisão. Nós vamos acabar com as bets”, afirmou.
Segundo Lula, a medida também teria relação com a formação dos jovens. “O jovem vai aprender que ele não tem que ficar jogando, apostando o que ele não tem”, declarou.




Deixe um comentário