Quem era Nathalia Filgueiras, copilota de 20 anos filha de brasileiros que morreu em queda de jato nos EUA

Filha de brasileiros e nascida nos EUA, jovem tirou licença de piloto aos 17 anos, acumulava mais de 1.300 horas de voo e trabalhava havia nove meses como pilota comercial

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Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, era descrita por familiares e amigos como uma jovem apaixonada pela aviação desde a adolescência. Filha de brasileiros e nascida na Flórida, nos Estados Unidos, ela conquistou a licença de piloto particular aos 17 anos, antes mesmo de tirar a carteira de motorista. A jovem atuava como copilota do jato Learjet 60 que caiu no domingo (1º), no condado de Palm Beach, deixando nove mortos.

Nathalia havia começado a estudar aviação em 2020, quando ainda estava no ensino médio. O interesse pela área também foi incentivado pelo pai, que começou a pilotar por lazer em 2018 e compartilhava os conhecimentos com a filha.

Em setembro de 2023, ela ganhou destaque na imprensa americana ao ser entrevistada pela emissora CBS12 News, após conquistar a licença de piloto particular. Na época, estudava na West Boca Raton High School, já acumulava 88 horas de voo e podia pilotar aeronaves particulares sozinha ou transportar passageiros — desde que não recebesse pagamento pelo serviço.

Segundo a reportagem da época, enquanto outros adolescentes de sua idade praticavam esportes ou aproveitavam os fins de semana para sair com amigos, ela dedicava boa parte do tempo à aviação.

“Eu até me gabo disso, porque as pessoas dizem: ‘Ah, você não sabe dirigir’, e eu respondo: ‘É, mas sei pilotar’”, contou à emissora. Na ocasião, disse que pretendia tirar a habilitação para dirigir carros. “Algumas pessoas acham estranho que eu consiga pilotar aviões, mas não saiba dirigir um carro. Acho engraçado e agora quero muito tirar minha carteira de motorista”, disse.

A formação da jovem aviadora foi realizada na American Flyers, escola de aviação com unidades nos estados do Texas e da Flórida. Segundo familiares, Nathalia já tinha mais de 1.300 horas de voo e trabalhava havia nove meses como pilota comercial. Em março de 2025, ela voltou à escola onde estudou para conversar com alunos e compartilhar experiências sobre a carreira na aviação.

Nas redes sociais, a jovem costumava publicar fotos e vídeos de sua rotina como aviadora. Em uma postagem, comemorou ter assumido o comando de um Learjet 60: “Piloto em comando do Learjet 60! Toda a glória a Deus! Amém!”, escreveu.

Momentos antes da queda

A família confirmou que era Nathalia a voz feminina registrada no áudio da comunicação entre a tripulação e os controladores de tráfego aéreo nos momentos que antecederam a queda.

Na gravação, a copilota relata problemas com gelo e turbulência e, em seguida, declara emergência. Ela informa que o avião estava perdendo altitude rapidamente e diz: “Vamos bater no chão”. Em outro momento, pede que o colega olhe para fora e afirma que estavam sem tempo.

Segundo o padrasto, Thiago Corteleti, cerca de dez minutos antes do acidente Nathalia também havia enviado uma mensagem ao namorado, Justin, relatando as condições do voo: “Estou com turbulência, estou com gelo”.

“Vivendo o sonho”

Em entrevista à CNN Brasil, a mãe da jovem, Camila Gadelha Corteleti, descreveu a filha como responsável e esforçada e disse que ela estava trabalhando no momento do acidente. “Ela era copilota, não podia tomar nenhuma decisão”, afirmou.

Em declaração à imprensa americana, Camila lamentou a morte da filha e falou sobre a realização do sonho de trabalhar na aviação. “Eu sabia que ela estava vivendo o sonho dela”, disse.

“Eu sei que, se ela pudesse escolher uma forma de partir, essa seria a forma que ela escolheria, mas eu não queria que fosse tão cedo”, lamentou a mãe da jovem.

O Learjet 60 havia decolado de Austin, no Texas, com destino às Bahamas, quando caiu em uma área residencial de Greenacres, no condado de Palm Beach. As nove pessoas que estavam a bordo morreram. As causas do acidente são investigadas pelas autoridades americanas.

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