Perfis investigados no caso Master ajudaram a impulsionar Cury nas redes sociais

Páginas com milhões de seguidores fizeram ao menos 17 publicações sobre o presidenciável e somaram 3,7 milhões de interações; candidato nega compra de seguidores e contratação de influenciadores

Adicione o Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

Perfis de grande alcance nas redes sociais investigados pela Polícia Federal no escândalo do Banco Master participaram também da onda de publicações que impulsionou a presença digital do candidato à Presidência Augusto Cury (Avante). Segundo reportagem da revista Veja, quatro dos 40 perfis que a PF apura fizeram ao menos 17 posts sobre o escritor, acumulando 3,7 milhões de interações.

Alfinetei, Alfinetada, Babadeira e Diferentona estão entre os perfis que publicaram conteúdos favoráveis ao presidenciável. As mesmas páginas são citadas em investigação da PF sobre uma suposta campanha digital contra o Banco Central durante a tentativa do Banco Master de evitar sua liquidação.

A movimentação ocorre em meio ao rápido crescimento do candidato nas pesquisas. Segundo levantamento Nexus/BTG, Cury passou de 2% para 11% das intenções de voto em uma semana. Ele aparece atrás de Lula (PT), com 39%, e Flávio Bolsonaro (PL), com 33%.

Não há, nas informações apresentadas, comprovação de que as publicações sobre Cury tenham sido pagas ou de que exista relação entre a campanha presidencial e a atuação investigada pela PF no caso Master. Cury nega ter comprado seguidores ou contratado influenciadores.

Crescimento nas redes desperta suspeitas

A expansão eleitoral coincidiu com um salto expressivo na presença digital de Cury. Depois de registrar crescimento diário relativamente estável, entre 1 mil e 3 mil novos seguidores, o perfil teria recebido cerca de 2,4 milhões de novos seguidores em um intervalo de 24 a 48 horas.

O movimento incluiu picos de centenas de milhares de novas contas seguindo o candidato durante a madrugada e despertou questionamentos de campanhas adversárias sobre uma possível aquisição artificial de seguidores.

Ao mesmo tempo, páginas normalmente dedicadas a celebridades, entretenimento, comportamento e assuntos cotidianos começaram a publicar conteúdos sobre Cury quase simultaneamente e com abordagens semelhantes.

Houve ainda uma segunda onda de postagens, desta vez repercutindo justamente o crescimento do escritor nas redes sociais e sua ascensão na corrida presidencial.

Entre os perfis envolvidos estavam Alfinetei, Alfinetada, Babadeira e Diferentona. Segundo as informações da investigação sobre o Banco Master, essas páginas também integram o grupo de influenciadores investigados por supostamente receber recursos para publicar conteúdos contra o Banco Central.

A PF apura a atuação de pelo menos 40 perfis que teriam feito publicações contra o BC supostamente financiadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro durante a crise do Master.

Legislação proíbe influenciadores pagos

A eventual comprovação de manipulação artificial de métricas ou contratação de influenciadores para propaganda eleitoral pode gerar consequências jurídicas para uma candidatura.

As regras eleitorais permitem que influenciadores manifestem espontaneamente apoio a candidatos, compartilhem conteúdos, utilizem hashtags e participem de mobilizações orgânicas.

O pagamento ou a concessão de vantagem econômica para que influenciadores façam propaganda eleitoral, porém, é proibido. Dependendo das circunstâncias e da gravidade de uma eventual irregularidade, as consequências podem incluir multas e retirada de conteúdos ou perfis do ar, além de outras sanções previstas na legislação eleitoral.

Cury chama suspeita de “absurda”

Cury rejeitou as acusações de que sua campanha estaria comprando seguidores ou recorrendo a influenciadores pagos para aumentar artificialmente sua presença digital.

Em entrevista ao programa Veja Em Foco, na segunda-feira (31), o candidato classificou como “absurda” a hipótese levantada por campanhas adversárias.

“Acha que alguém com meu histórico, que sempre lidou com a verdade, que foi concursado como perito de psiquiatria judicial, que a vida inteira disse que quem não é transparente tem uma dívida impagável consigo mesmo, acha que vamos comprar seguidores? ”, afirmou durante entrevista a Marcela Rahal. “Vou perder a minha essência por causa de uma jornada de uma eleição, já que eu tenho o que os políticos jamais sonharam em ter? Isso é um absurdo. ”

O presidenciável atribuiu o crescimento a uma mobilização espontânea de pessoas que se identificaram com sua candidatura e também negou a utilização de influenciadores remunerados.

“Na verdade, foi um movimento incontrolável”, afirmou.

Segundo Cury, a mobilização teria ocorrido entre pessoas identificadas com sua proposta de “pacificação”.

Os responsáveis pelos perfis citados e o marqueteiro da campanha de Cury, Sérgio Lima, foram procurados, mas não haviam se manifestado até a divulgação das informações.

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo