Partidos com ministérios no governo Lula deram 34% dos votos contra cassação de Zambelli

Cassação da deputada bolsonarista fracassa no plenário após votos decisivos de Republicanos, PSD, MDB e PP, todos da base governista

A madrugada desta quinta-feira (11) expôs um dos maiores constrangimentos políticos do governo Lula. Quatro partidos com ministros na Esplanada votaram para salvar o mandato da deputada bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP), que escapou da cassação por apenas 30 votos. O placar final foi de 227 a 170, abaixo dos 257 votos exigidos para retirar o mandato da parlamentar, atualmente presa na Itália.

Republicanos, PSD, MDB e PP — todos com cadeiras no primeiro escalão — entregaram juntos 58 votos contrários à cassação, número que corresponde a 34% de todos os votos que garantiram a sobrevivência política de Zambelli. Se a base governista tivesse votado de forma alinhada, o resultado teria sido completamente diferente.

O Republicanos, do ministro Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), dividiu a bancada ao meio: 17 votos a favor da cassação e 17 contra. Já o PSD, que controla pastas estratégicas como Agricultura, Minas e Energia e Pesca, deu 16 votos a favor de Zambelli e apenas 11 pela cassação.

O MDB também se fragmentou: 12 votos contrários e 15 favoráveis. O PP, ligado ao ministro André Fufuca (Esportes), entregou 13 votos a favor da deputada e 24 pela cassação. Embora o partido presidido por Ciro Nogueira já tenha rompido com Lula, Fufuca permanece no governo — e a divisão da legenda reforçou o impacto da dissidência.

Enquanto isso, siglas de esquerda e centro-esquerda que compõem o núcleo duro da base entregaram 119 votos unificados pela cassação. Já o União Brasil, que deixou o governo recentemente, teve divisão semelhante aos demais partidos: 22 votos contra e 21 a favor.

Na véspera, a Comissão de Constituição e Justiça havia aprovado o parecer que recomendava a cassação de Zambelli. Mas no plenário, o clima político e o desconforto com o Supremo Tribunal Federal pesaram mais. Os votos cruzados dentro da base governista foram decisivos para barrar a perda do mandato.

Zambelli está presa na Itália desde que fugiu do Brasil e aguarda extradição. Ela já acumula duas condenações que totalizam 15 anos e 3 meses de prisão. A principal é por participação intelectual na invasão aos sistemas do CNJ em parceria com o hacker Walter Delgatti, com a inserção de documentos falsos, incluindo um mandado fraudado contra o ministro Alexandre de Moraes. A segunda condenação envolve porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, após ela perseguir um eleitor de Lula com arma em punho na véspera do segundo turno de 2022.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading