A Polícia Civil do Amazonas deflagrou na manhã desta sexta-feira (20) uma operação contra um suposto esquema vinculado ao Comando Vermelho que, segundo as investigações, mantinha um “núcleo político” com influência e acesso aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no estado. Até a última atualização, 14 pessoas haviam sido presas, sendo oito no Amazonas.
Entre os detidos está Anabela Cardoso Freitas, integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e ex-chefe de gabinete do prefeito. De acordo com a apuração policial, ela teria movimentado aproximadamente R$ 1,5 milhão em favor da facção criminosa por meio de empresas de fachada. Também foram presos um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores de três vereadores.
Mandados em vários estados
A Justiça expediu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão. Além das prisões, foram autorizadas medidas de bloqueio de contas bancárias, sequestro de bens e quebra de sigilo bancário dos investigados.
As ordens judiciais são cumpridas em Manaus e em outros estados, incluindo Belém e Ananindeua, no Pará; Belo Horizonte, em Minas Gerais; Fortaleza, no Ceará; Teresina, no Piauí; e Estreito, no Maranhão. A operação mobiliza equipes policiais em diferentes regiões do país.
Movimentação milionária
Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa teria movimentado cerca de R$ 70 milhões ao longo de sete anos, o que representa uma média aproximada de R$ 9 milhões por ano desde 2018. O grupo atuaria em articulação com traficantes do Amazonas e de outros estados, consolidando uma rede interestadual de atuação.
As investigações indicam que os suspeitos facilitavam a contratação de empresas de fachada nos setores de transporte e logística. Na prática, essas empresas seriam utilizadas para adquirir drogas na Colômbia e transportá-las até Manaus. A partir da capital amazonense, os entorpecentes seriam redistribuídos para outras unidades da federação.
Crimes investigados
Os investigados poderão responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
A operação aprofunda as apurações sobre a possível infiltração de organizações criminosas em estruturas públicas no estado, com foco na identificação de vínculos políticos e financeiros que teriam dado suporte às atividades ilícitas.






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