A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu aos Estados Unidos que reavaliem as medidas migratórias adotadas para a Copa do Mundo de 2026, em meio a críticas sobre o impacto dessas políticas na participação de profissionais, atletas e torcedores ligados ao torneio. A cobrança foi feita pelo alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, durante entrevista concedida nesta quarta-feira (10), em Genebra.
A manifestação ocorreu após uma série de episódios envolvendo delegações estrangeiras, incluindo a negativa de entrada no país ao árbitro somali Omar Artan, de 34 anos, que estava credenciado para trabalhar no Mundial organizado conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá.
Artan desembarcou em Miami no último sábado (7), mas foi impedido de ingressar em território norte-americano. De acordo com o governo dos Estados Unidos, a decisão foi tomada com base em razões relacionadas à segurança nacional. O árbitro seguia para se reunir ao grupo de profissionais selecionados para atuar na competição.
ONU manifesta preocupação
Ao comentar o caso, Volker Türk demonstrou preocupação com os efeitos das políticas migratórias sobre direitos fundamentais e defendeu uma reflexão mais ampla sobre os critérios adotados pelas autoridades norte-americanas.
“Espero sinceramente que haja uma reflexão profunda sobre a maneira como a aplicação das políticas migratórias afeta os direitos humanos e a dignidade humana e que, especialmente no contexto da Copa do Mundo, sejam repensadas políticas que, infelizmente, parecem prevalecer atualmente, particularmente nos Estados Unidos”, afirmou o chefe de direitos humanos da ONU.
A declaração reforça o debate internacional sobre o equilíbrio entre segurança nacional e garantia de acesso a eventos globais de grande porte. A Copa do Mundo de 2026 será o maior torneio da história da FIFA, reunindo seleções, profissionais e milhões de torcedores de diferentes nacionalidades.
Endurecimento das regras migratórias
O episódio ocorre em um contexto de fortalecimento dos controles migratórios implementados pelo presidente Donald Trump desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025. A administração republicana ampliou mecanismos de fiscalização nas fronteiras e endureceu os critérios para entrada de estrangeiros no país.
O governo argumenta que as medidas são necessárias para prevenir riscos à segurança nacional. No entanto, organizações internacionais e entidades ligadas aos direitos humanos têm demonstrado preocupação com possíveis impactos sobre viajantes legítimos, incluindo participantes de eventos esportivos internacionais.
Irã também enfrenta dificuldades
Entre os países afetados pelas incertezas relacionadas às novas regras está o Irã. Integrantes da seleção iraniana, dirigentes esportivos e torcedores manifestaram preocupação com eventuais restrições para acompanhar ou participar da competição.
A federação iraniana chegou a acusar as autoridades norte-americanas de reduzirem a oferta de ingressos destinada aos seus torcedores. O tema ganhou ainda mais repercussão após jogadores da equipe desembarcarem no México usando broches com o número 168.
O símbolo foi interpretado como uma referência às 168 mortes registradas durante o bombardeio norte-americano à escola Minab, localizada no sul do Irã, em fevereiro deste ano. O gesto chamou atenção da imprensa internacional e evidenciou o ambiente político que cerca a preparação para o Mundial.
Com a aproximação da Copa do Mundo de 2026, cresce a pressão para que os países-sede garantam condições de acesso e participação a profissionais e torcedores de todas as nacionalidades, preservando tanto os requisitos de segurança quanto os compromissos internacionais relacionados aos direitos humanos.






Deixe um comentário