‘O tio disse que eu atrapalho’: relato sobre Henry Borel comove júri no quarto dia de julgamento

Cabeleireira que atendeu Monique Medeiros semanas antes da morte da criança relatou conversas que disse ter presenciado entre mãe, filho e Dr. Jairinho

Uma declaração atribuída ao menino Henry Borel durante depoimento prestado no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro chamou a atenção de jurados, advogados e familiares nesta quinta-feira (28). O relato foi feito pela cabeleireira Teresa Cristina dos Santos, que atendeu Monique Medeiros poucas semanas antes da morte da criança.

Ao depor no quarto dia do julgamento de Monique Medeiros e do ex-vereador Dr. Jairinho, a testemunha afirmou ter ouvido Henry dizer uma frase que provocou forte repercussão no plenário.

Segundo Teresa, o menino teria dito: “O tio disse que eu atrapalho”. Ainda de acordo com a cabeleireira, em outro momento Henry chamou pela mãe e pediu que ela voltasse para casa.

Conversas no salão

O episódio relatado pela testemunha teria ocorrido em 12 de fevereiro de 2021, pouco mais de três semanas antes da morte de Henry, registrada em 8 de março daquele ano.

Segundo a cabeleireira, Monique permaneceu por mais de duas horas no estabelecimento e recebeu diversas ligações telefônicas de Jairinho durante o atendimento.

Teresa afirmou ter ouvido parte das conversas e relatou que uma delas envolvia a possibilidade de demissão da babá responsável pelos cuidados da criança. Conforme seu depoimento, Monique teria discordado da ideia porque considerava que a funcionária tratava bem o filho.

A testemunha também declarou que ouviu comentários sobre uma discussão entre o casal. Segundo seu relato, Monique teria mencionado que Jairinho ameaçou “quebrar tudo” e afirmado que ele já estava acostumado a agir daquela forma.

Relato sobre dores

Outro trecho do depoimento abordou reclamações físicas feitas por Henry.

Segundo Teresa, o menino teria dito que estava mancando e sentindo dores porque o “tio” lhe deu uma “banda”, expressão popular utilizada para descrever uma rasteira ou um empurrão que provoca queda.

A cabeleireira também descreveu Monique como uma pessoa aparentemente preocupada e emocionalmente abalada durante parte do atendimento realizado naquele dia.

Além disso, afirmou que ouviu a mãe de Henry comentar sobre planos para instalar câmeras de segurança dentro da residência.

Defesa contestou versão

Durante o interrogatório, a defesa de Jairinho tentou colocar em dúvida o relato apresentado pela testemunha.

Advogados exibiram imagens do circuito interno do salão de beleza e questionaram se seria possível ouvir com clareza as conversas descritas por Teresa. Apesar dos questionamentos, a testemunha manteve os principais pontos de sua versão.

Em determinado momento, houve um clima de tensão no plenário durante a condução das perguntas, com divergências entre a magistrada responsável pelo caso e a testemunha.

Julgamento segue

O depoimento da cabeleireira foi um dos últimos do quarto dia do julgamento, que continua reunindo testemunhas ligadas aos últimos meses de vida de Henry Borel.

Ao longo da semana, o júri ouviu familiares, ex-funcionários, profissionais que tiveram contato com a criança e ex-companheiras de Jairinho. Algumas testemunhas relataram episódios de agressão e comportamento violento atribuídos ao ex-vereador.

Jairinho responde pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e tortura. Já Monique Medeiros é acusada de homicídio por omissão e por descumprimento do dever de proteção do filho. Ambos negam as acusações.

A expectativa agora é pela continuidade da fase de testemunhas, seguida dos interrogatórios dos réus e dos debates finais entre acusação e defesa antes da decisão do conselho de sentença.

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