Caso Henry Borel: Irmão de Monique diz que ela foi orientada a mentir em depoimento após morte do filho

Bryan Medeiros afirmou que a irmã foi treinada para sustentar uma narrativa elaborada pela defesa do então casal; testemunha também negou ter visto sinais de agressão em Henry

O julgamento da morte do menino Henry Borel entrou neste sábado (30) em seu sexto dia no II Tribunal do Júri do Rio com o início da fase de depoimentos das testemunhas de defesa de Monique Medeiros, acusada de homicídio e tortura ao lado do ex-vereador Jairinho.

A primeira testemunha ouvida foi Bryan Medeiros, irmão de Monique. Em depoimento, ele relatou ter sido informado sobre o estado de saúde de Henry durante uma chamada de vídeo feita pela irmã na madrugada de 8 de março de 2021. Segundo Bryan, ao chegar ao hospital encontrou o pai da criança, Leniel Borel, “desolado, chorando e se lamentando muito”.

Questionado pela juíza Elizabeth Machado Louro, Bryan afirmou que Monique nunca comentou com familiares que soubesse ou suspeitasse de agressões contra Henry.

‘Monique foi treinada para mentir no primeiro depoimento’, disse tio de Henry

Bryan também afirmou que a irmã foi orientada a mentir em seu primeiro depoimento à polícia após a morte de Henry. Segundo ele, a estratégia teria sido conduzida pelo advogado André França, que à época representava tanto Monique quanto Jairinho.

“A Monique foi treinada para mentir no primeiro depoimento. A gente não tinha ideia de que isso seria extremamente prejudicial. Ele modificou a narrativa dos fatos após a morte do Henry”, declarou a testemunha.

Ainda de acordo com Bryan, a versão apresentada inicialmente pelas defesas colocava Monique como a primeira pessoa a acordar na madrugada em que a criança passou mal. Segundo ele, a família teria sido orientada a reproduzir essa narrativa.

O irmão de Monique também afirmou que nunca observou lesões ou marcas no corpo do sobrinho durante o período em que conviveu com a criança.

“A pele dele era muito branquinha. Se tivesse alguma mancha, ficaria muito destacada”, disse aos jurados.

Bryan ainda relatou que a irmã dizia sofrer controle excessivo por parte de Jairinho. Segundo a testemunha, Monique contou que acreditava estar sendo monitorada e que o então companheiro demonstrava ciúmes frequentes de Leniel Borel, pai de Henry.

A ordem dos depoimentos foi definida após decisão judicial que determinou que Jairinho seja interrogado depois de Monique. Como a mãe da criança atribui ao ex-vereador a responsabilidade pela morte do filho, as testemunhas indicadas por sua defesa passaram a ser ouvidas primeiro.

Defesa tenta reforçar teses dos réus

O sexto dia do júri ocorre após o longo depoimento prestado por Leniel Borel na sexta-feira (29). Durante quase dez horas, o pai de Henry relembrou os últimos momentos com o filho e afirmou acreditar que o menino foi vítima de um crime premeditado.

Leniel também relatou ter estranhado a versão apresentada por Monique e Jairinho na madrugada da morte da criança. Segundo ele, chamou sua atenção o fato de Monique ter sido apontada como responsável pelos procedimentos de reanimação, enquanto Jairinho, que era médico à época — ele teve o registro cassado pelo Consleho Federal de Medicina (CFM) em 2024, após a repercussão do caso —, dirigia até o hospital.

As estratégias das defesas seguem distintas. Os advogados de Monique tentam convencer os jurados de que ela não tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho e que também vivia sob uma relação marcada por violência e controle. Já a defesa de Jairinho busca contestar provas periciais e sustenta que testemunhas teriam sido influenciadas para incriminar o ex-vereador.

Julgamento se aproxima da fase final

Além das testemunhas de defesa de Monique, o Tribunal do Júri ainda deverá ouvir pessoas convocadas pela defesa de Jairinho, entre elas o pai do ex-vereador, o coronel Jairo Souza Santos, e o perito Leonardo Tauil, responsável por laudos produzidos durante a investigação.

Após o encerramento dos depoimentos, o processo avançará para o interrogatório dos réus e para os debates entre acusação e defesa. A expectativa é que o julgamento entre em sua etapa decisiva nos próximos dias, com o veredito podendo ser conhecido a partir da próxima semana.

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