RICARDO BRUNO
Neófito em debates eleitorais, o governador Cláudio Castro conseguiu sair-se bem da saraivada de críticas disparadas pelos adversários durante o debate da Band. No exercício do cargo e em primeiro lugar nas pesquisas, era esperado que fosse alvejado por todos os contendores, o que supostamente aumentaria o risco de um ferimento grave no curso da troca de acusações. Isto não ocorreu.
Com habilidade, escapou dos petardos e ainda encontrou espaço para mostrar resultados de políticas públicas do governo. Ainda que tenha revelado algum nervosismo no primeiro bloco, Castro fez o dever de casa: mostrou-se muito bem treinado, conseguindo driblar as provocações e ser propositivo, mesmo em meio às escaramuças e provocações dos adversários.
Debates tem potencial para corroer imagens e destruir reputações, inviabilizando candidaturas, desde que produzam hecatombes, deslizes imperdoáveis. Não foi o caso. O da Band teve altos e baixos de todos os participantes, mas não foi palco de um desastre rotundo cuja repercussão pudesse ameaçar a atual correlação de forças exibida pelas pesquisas.
O experiente Rodrigo Neves e o novato Paulo Ganine tiveram ótimos desempenhos. Encurralados na terceira e quarta posições nas intenções de voto, se dividiram entre as críticas ao governador e a tentativa de desconstrução da imagem de Marcelo Freixo. Isto, em boa medida, facilitou a vida de Cláudio Castro, que, assim, pode centrar sua apresentação na defesa dos resultados do governo e no disparo exclusivamente no seu adversário mais direto, o candidato do PSB.
O ponto alto de sua apresentação foi quando lembrou que Freixo jamais apresentara emenda parlamentar em favor da Baixada Fluminense. E, para driblar a proibição de exibição de documentos ao vivo, recorreu a uma inovação. Em ação coordenada com a equipe de marketing, mostrou o relatório de emendas instantaneamente pelas redes sociais.
Desenvolto na oratória de contenda, Rodrigo Neves foi crítico impiedoso de Marcelo Freixo, que, por sua vez, gastou boa parte de seu tempo disparando contra o pedetista. Logo no início, fez referências a relações inadequadas com empresários de ônibus. Depois, foi alvejado certeiramente por Neves, lembrando que teria atuado em defesa dos blackblocs nas manifestações de 2014, que culminaram com a morte do cinegrafista Santiago Andrade.
Em resumo, Neves e Ganine se saíram muito bem, destacaram-se pela abordagem de pontos sensíveis aos adversários. Até pelo antagonismo ideológico de ambos, o candidato do Novo se ocupou preponderantemente de Marcelo Freixo. Comportou-se como se disputasse uma queda de braço exclusiva com o candidato do PSB. Tentou ao máximo a polarização, a desconstrução da imagem do concorrente, pelo viés ideológico.
Experiente, Freixo entrou em campo mirando exclusivamente Cláudio Castro mas, no curso da peleja, teve de se defender também das bolas de Ganine e Neves. Fez uma partida ora como centroavante, onde como beque. Não ficou solto para correr em direção a pequena área e golear, apesar o traquejo oratório adquirido no parlamento. Os adversários conseguiam neutralizá-lo em boa medida.






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