A disputa sobre o comando do governo do Rio voltou a provocar tensão no plenário da Assembleia Legislativa (Alerj) nesta quinta-feira (30). Líder do PDT na Casa, o deputado Vitor Junior contrariou o discurso feito na véspera pelo presidente da Casa, Douglas Ruas (PL), e defendeu que o governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, permaneça à frente do Executivo até o fim do processo no Supremo Tribunal Federal (STF).
O PDT, ao lado do PSD do pré-candidato ao governo Eduardo Paes, tem levado à Justiça disputas envolvendo o Executivo estadual e a própria Alerj. Na tribuna, Vitor Junior afirmou que o estado vive um momento de apuração interna e disse que a atual fase pode representar uma chance de reorganização.
Disputa pelo governo e caso Ceperj
O deputado criticou o que chamou de uso de estruturas do governo para projetos políticos. Segundo ele, secretarias passaram a funcionar como “franquias” voltadas à manutenção de poder de determinados grupos.
“As secretarias perderam o seu objeto-fim. Passaram a ser franquias de governadores, de mini-governadores que se distribuíram e se espalharam pelo Estado do Rio de Janeiro”, afirmou.
O deputado também citou a demora no julgamento do caso Ceperj e disse que outras áreas ainda precisam ser investigadas. “A gente teve praticamente quatro anos de apuração do escândalo do Ceperj”, afirmou, ao mencionar que a população aguardou por longo período até o avanço das investigações.
Cidades e DER na mira
Ele acrescentou, porém, que outras áreas ainda podem ser alvo de apuração. “Tem muita caixa preta ainda para abrir nesses próximos dias”, disse, citando setores como Educação e Rioprevidência
Durante a fala, ele mencionou ainda a Secretaria das Cidades, pasta que já foi comandada por Douglas Ruas, e o DER. Em relação departamento, afirmou ter apresentado denúncia sobre uma licitação para contratação de radares, no valor de R$ 250 milhões, com possibilidade de chegar a R$ 1 bilhão caso houvesse prorrogação contratual.
Segundo o deputado, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) encaminhou informações ao Ministério Público e à Controladoria-Geral do Estado, que já deram um prazo de cinco dias para que o governo preste esclarecimentos sobre o edital.
Citação à Polícia Federal
No seu discurso, o deputado chegou a insinuar que colegas do parlamento teriam demonstrado apreensão diante da possibilidade de uma operação da Polícia Federal na Casa. Segundo ele, houve movimentação incomum em gabinetes nos últimos dias, associada ao receio de novas investigações.
Na mesma linha, o parlamentar fez referência à atuação de grupos políticos nos últimos anos e citou nomes como o do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar e do ex-governador Cláudio Castro ao comentar disputas internas pelo comando do estado.
Defesa de Ricardo Couto
Ao defender a permanência de Ricardo Couto, o pedetista disse que o governador em exercício vem promovendo mudanças relevantes na administração estadual.
“A organização que está sendo feita nas contas do estado, a oportunidade que nós temos de restabelecer a segurança jurídica em relação aos royalties e a perspectiva que nós temos de restabelecer as contas do estado com o governo Ricardo Couto são grandiosas”, afirmou.
Ele completou: “Essa quarentena que estamos passando é a salvação do povo do Estado do Rio de Janeiro”.
Renan Jordy reage
Aliado de Douglas Ruas, o deputado Renan Jordy (PL) rebateu Vitor Junior. Ele disse reconhecer o levantamento feito pelo parlamentar, mas cobrou prudência nas acusações. “Tudo isso deve ficar a cargo da Justiça, e, se comprovada a irregularidade, que se puna aqueles que, de fato, são responsáveis, mas com prudência”, afirmou.
Jordy também levou a discussão para Niterói, base política de Vitor Junior e do prefeito Rodrigo Neves. O parlamentar insinuou que situações semelhantes poderiam existir na administração municipal.
“Boi preto reconhece boi preto”, disse Jordy. “Muito provavelmente porque, lá na prefeitura de Niterói, onde o senhor tem participação efetiva, tem construção administrativa, tem gerência decisória, temos casos muito parecidos como esse”, reagiu.
Ele ainda mencionou a relação política de Vitor Junior com gestões anteriores do estado e pediu equilíbrio no debate. “Reivindico ao deputado para que, antes de apontar o dedo como se julgado e condenado qualquer um fosse, que respeitasse o devido processo”, afirmou.
Segurança Presente
No fim da fala, Renan Jordy criticou informações sobre possível extinção do programa Segurança Presente pelo governo interino. Ele pediu que a gestão Ricardo Couto avalie os impactos antes de qualquer decisão.
“Um projeto como esse não pode ser extinto de um dia para o outro sem avaliação dos prós e contras”, afirmou.
O embate reforçou a divisão política na Alerj em torno do futuro do governo estadual, da permanência de Ricardo Couto e das disputas judiciais que ainda cercam o Executivo e o Legislativo fluminense.






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