Uma decisão da Justiça do Rio de Janeiro provocou uma nova reviravolta na disputa pelo controle da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco. A juíza Caroline Fonseca, da 4ª Vara Empresarial do Rio, determinou o afastamento dos integrantes do Conselho de Administração da SAF, incluindo o presidente do clube, Pedrinho, além de Christiano Stockler Campos e Felipe Elias.
A magistrada acolheu pedido apresentado pela 777 Carioca, representada pelo escritório Dickstein Advogados, e fundamentou sua decisão em apontamentos feitos pelo Conselho Fiscal da SAF e corroborados posteriormente pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
Apesar da decisão, Pedrinho permanece como presidente do Club de Regatas Vasco da Gama. O afastamento atinge exclusivamente sua atuação na estrutura administrativa da SAF.
Falhas de governança
Na decisão, a juíza destacou que o Conselho de Administração teria deixado de fornecer documentos e informações solicitados pelo Conselho Fiscal durante mais de um ano, comprometendo a atividade de fiscalização prevista no estatuto da empresa.
Segundo os relatórios apresentados ao processo, a SAF continua registrando patrimônio líquido negativo de aproximadamente R$ 647 milhões, não possui diretor financeiro formalmente nomeado desde março de 2025 e realizou investimentos de cerca de R$ 100 milhões na contratação de jogadores ao longo de 2026.
O parecer do Ministério Público acompanhou as críticas feitas pelo Conselho Fiscal e defendeu o acolhimento das medidas solicitadas pela 777 Carioca.
Administradora provisória
Como consequência da decisão, a advogada Samantha Longo foi nomeada para exercer provisoriamente a administração da SAF do Vasco até novas deliberações judiciais.
A medida transfere temporariamente a condução da empresa para uma gestão independente, enquanto seguem as discussões envolvendo o controle societário e a situação financeira da companhia.
Venda da SAF sob novas regras
Outro ponto considerado relevante na decisão é a imposição de novas exigências para qualquer eventual negociação envolvendo a venda da SAF vascaína.
A partir de agora, segundo a determinação judicial, qualquer proposta de aquisição da SAF deverá contar com a participação da 777 Carioca, além de autorização do Tribunal Arbitral e da própria Justiça do Rio.
Na prática, a decisão amplia o peso da 777 nas negociações futuras e cria novos obstáculos para uma eventual venda da SAF sem a participação da empresa, que trava uma longa disputa judicial com a atual gestão do clube.
Disputa segue aberta
O embate entre o Vasco e a 777 se arrasta desde a crise financeira enfrentada pelo grupo norte-americano, que culminou em uma série de ações judiciais envolvendo o controle da SAF. Em maio de 2024, a Justiça já havia concedido ao clube associativo o controle provisório da empresa, após questionamentos sobre a capacidade financeira da 777 de cumprir compromissos assumidos no contrato de aquisição.
A nova decisão representa mais um capítulo dessa disputa e pode ter impactos diretos sobre o futuro administrativo e financeiro do Vasco, especialmente em relação à busca por investidores e à eventual venda de participação na SAF.






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