O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), elevou o tom nesta quarta-feira (29) ao pressionar o Supremo Tribunal Federal por uma definição rápida sobre a eleição para governador tampão. Em discurso no plenário, o parlamentar questionou a legitimidade da atual gestão interina e defendeu a realização de eleições diretas como solução para a crise.
“Carece de legitimidade para tomar decisão quem quer que esteja no poder de forma interina”, afirmou Ruas ao comentar a permanência do presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto de Castro, no comando do Executivo estadual .
Pressão direta ao STF
Durante um discurso de cerca de 12 minutos, Ruas cobrou celeridade na análise do caso pelo STF e afirmou que a indefinição prolonga o cenário de instabilidade política no estado.
“O nosso pedido é para que o Supremo Tribunal Federal tome a decisão o quanto antes”, declarou .
O deputado também destacou que a comunicação ao STF sobre sua eleição para a presidência da Alerj representa um elemento relevante para restabelecer a linha sucessória no estado.
Críticas à judicialização
Ruas voltou a criticar o que chamou de excesso de judicialização na política fluminense. Segundo ele, disputas que não se resolvem no campo político acabam sendo levadas ao Judiciário.
“Lamentavelmente, o que está acontecendo aqui no Rio de Janeiro é que, em qualquer disputa, se não se tem maioria, busca-se a via judicial para tentar fazer valer a sua vontade”, afirmou .
O parlamentar também mencionou ações recentes que questionam decisões da Alerj, incluindo discussões sobre o modelo de votação e a própria eleição para a presidência da Casa.
Defesa do voto direto
Um dos principais pontos do discurso foi a defesa da realização de eleições diretas para o mandato tampão. Para Ruas, esse modelo garante maior legitimidade e participação popular.
“O exercício pleno da democracia passa pela eleição direta”, afirmou, ao reiterar sua posição contrária ao modelo indireto .
Apesar disso, ele reconheceu que há lacunas na legislação federal sobre o tema, o que contribui para o atual impasse. Veja o vídeo com o discurso:
Divergências na Alerj
O discurso de Ruas gerou reações entre parlamentares. O líder do PSD na Casa, Luiz Paulo, afirmou que a indefinição sobre o modelo de eleição foi transferida ao STF por falta de consenso político.
“Está em jogo se é eleição direta, se é eleição indireta, quem é que toca o estado até chegar à eleição”, disse . Já o deputado Vitor Junior (PDT) defendeu a atuação do governo interino e afirmou que não há ruptura institucional. “A Constituição está sendo respeitada”, declarou .
Por outro lado, Flávio Serafini (PSOL) atribuiu a crise política a eventos anteriores envolvendo o ex-governador.
O impasse sobre a eleição para governador tampão continua sem solução definitiva e depende de decisão do STF. Enquanto isso, a pressão política cresce, tanto no Legislativo quanto nos bastidores de Brasília.
A definição sobre o modelo de eleição — direta ou indireta — e sobre a linha sucessória deve determinar os próximos passos do estado, em meio a um cenário de instabilidade institucional.





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