Mulher de tatuador morto por PM no Cachambi desabafa: ‘abatido como um animal’

Em desabafo nas redes sociais, companheira de Willyan Curado da Silva afirmou que policial apontou arma para ela enquanto segurava o filho do casal, de 4 anos

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A mulher do tatuador e comerciante Willyan Curado da Silva, de 28 anos, morto a tiros por um policial militar de folga na segunda-feira (12), publicou um desabafo nas redes sociais nesta quarta-feira (14). Na mensagem, Cris Reis lamentou a morte do marido e afirmou que ele foi “abatido como um animal”. Segundo a perita criminal, o policial também apontou uma arma para ela enquanto segurava o filho do casal, de 4 anos.

Willyan foi baleado no cruzamento das ruas Baldraco e Ferreira de Andrade, no Cachambi, Zona Norte do Rio, onde funcionavam o bar e o moto clube Vikings, no qual era proprietário. No relato, a companheira afirmou que o estabelecimento era um espaço frequentado pela família e criticou a conduta do policial, que, segundo ela, estava de folga, à paisana e embriagado.

“Eu nunca pensei perder um amor assim, inclusive eu achava que iria primeiro por ser mais velha que ele. Do jeito que foi, eu nunca vou esquecer na minha vida! Eu nunca vi um pai de família e trabalhador ser abatido como um animal. Ele [policial] não estava em horário de trabalho, [estava] bêbado e a paisana!”, escreveu.

A mulher também afirmou que o grupo envolvido na confusão estava no estabelecimento como visitante e deveria ter respeitado o espaço.

“Estavam no nosso espaço, bem dizer na nossa segunda casa, como visitantes e de coletes de motoclubes! O mínimo era respeitar uma casa que não era deles. Inflamou, fossem embora! E ainda apontaram arma para mim, com uma criança no colo!”, relatou.

A companheira informou que ainda aguarda ser chamada para prestar depoimento na delegacia. Ela disse que não daria mais detalhes sobre o episódio antes de ser ouvida pelas autoridades e manifestou esperança de que o caso seja esclarecido. “Meu marido terá justiça”, concluiu.

Vídeo mostra tatuador com mulher horas antes do crime

Imagens que circularam após o assassinato mostram Willyan bebendo com uma mulher horas antes de ser morto. Segundo a companheira do comerciante, a discussão que terminou em morte começou depois que a mulher que aparece no vídeo passou mal e o casal tentou ajudá-la.

Veja:

De acordo com a versão apresentada pela Polícia Militar, o agente permaneceu no local após os disparos e se identificou como policial de folga. Ele afirmou que se desentendeu com Willyan e alegou ter atirado depois que o comerciante teria sacado uma arma falsa.

Testemunhas relataram que a discussão terminou com vários disparos. O crime aconteceu na frente do filho do casal, de 4 anos.

Após os tiros, a área precisou ser isolada para a realização da perícia, e o policiamento foi reforçado na região. O caso está sob investigação da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).

Questionada sobre a prisão em flagrante do policial, a Polícia Militar não informou se o agente havia sido preso. Em nota, a corporação declarou que “a Corregedoria Geral acompanha o caso e abrirá procedimento apuratório para avaliar a conduta do policial”.

Tatuador temia não acompanhar o crescimento do filho

Antes de morrer, Willyan havia publicado nas redes sociais uma declaração dedicada ao filho, na qual expressava o desejo de acompanhar o crescimento do menino e o medo de não estar presente no futuro dele.

“Meu sonho é te ver crescer, se tornar um homem, construir família e erguer impérios. Meus medos é não te ver crescer, te perder, errar com você como pessoa e como pai”, escreveu.

O sepultamento da vítima aconteceu na terça-feira (13), às 16h30, no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte do Rio.

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