A prisão de ex-chefes da Polícia Civil do Rio de Janeiro voltou a colocar em evidência o histórico de investigações contra antigos dirigentes da corporação. Desde 2008, pelo menos cinco delegados que ocuparam o comando da instituição foram envolvidos em operações policiais e processos judiciais relacionados a suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e vínculos com organizações criminosas.
Entre os nomes estão Marcus Amim, Rivaldo Barbosa, Allan Turnowski, Álvaro Lins e Ricardo Hallak. Os casos ocorreram em diferentes períodos e apresentam situações judiciais distintas, que vão de investigações ainda em andamento a condenações criminais.
As acusações também revelam a diversidade dos esquemas investigados. Enquanto alguns ex-dirigentes foram associados ao recebimento de propina de contraventores, outros tiveram seus nomes relacionados a organizações suspeitas de utilizar estruturas empresariais para movimentar recursos ilícitos.
Marcus Amim e Rivaldo Barbosa
Marcus Amim é investigado pela Polícia Federal por suspeita de integrar uma organização criminosa armada que teria utilizado postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavar dinheiro.
Segundo a PF, o esquema envolveria agentes públicos e conexões políticas destinadas a favorecer as atividades do grupo. A investigação busca esclarecer a participação dos envolvidos e a movimentação financeira atribuída à organização.
Outro caso é o de Rivaldo Barbosa, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em fevereiro de 2026, a 18 anos de prisão pelos crimes de corrupção e obstrução à Justiça. A decisão também determinou a perda de sua função pública.
Allan Turnowski e Álvaro Lins
Allan Turnowski, que deixou o comando da Polícia Civil para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PL, também foi alvo de investigação. Segundo as apurações, ele teria recebido propina ligada ao jogo do bicho e participado de um plano para assassinar o contraventor Rogério Andrade.
Turnowski chegou a ser preso, mas foi libertado menos de um mês depois por decisão do ministro Nunes Marques, do STF. A soltura foi condicionada ao cumprimento de medidas cautelares, incluindo restrições de acesso a repartições policiais.
Posteriormente, os atos praticados pela primeira instância foram anulados, e o processo passou à competência do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Já Álvaro Lins, ex-chefe da Polícia Civil durante o governo Anthony Garotinho, foi preso em 2008, quando exercia mandato de deputado estadual. Ele foi acusado de integrar um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e facilitação ao contrabando.
Lins recebeu condenação de 28 anos de prisão por chefiar a organização criminosa, mas foi solto em 2009. Em 2024, acabou reintegrado à corporação, 15 anos depois de sua demissão.
Ricardo Hallak foi condenado por corrupção
Ricardo Hallak também figura entre os antigos dirigentes envolvidos em processos criminais. Ele foi condenado a cinco anos e nove meses de prisão por corrupção passiva.
Durante a investigação, a Polícia Federal realizou interceptações telefônicas autorizadas judicialmente. Em uma das conversas, Hallak aparecia articulando represálias contra uma delegacia que não participava do esquema de pagamento de propinas.
Em 2020, a ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), rejeitou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa para reduzir a pena.







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