O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, pelos crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Os dois são apontados como líderes de um esquema investigado pela Operação Carbono Oculto e permanecem foragidos.
A denúncia, que ainda precisa ser analisada pela Justiça, concentra-se em parte do mecanismo que teria sido utilizado para movimentar e ocultar recursos de origem ilícita. Segundo o MP, a estrutura envolvia empresas de fachada, fintechs e fundos de investimento.
As investigações apontam que o esquema começava com irregularidades no mercado de combustíveis, incluindo adulteração de produtos e fraudes fiscais, e avançava até estruturas financeiras utilizadas para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Na semana passada, o Ministério Público já havia apresentado outra denúncia contra 16 pessoas, entre elas Beto Louco e Primo, por organização criminosa em decorrência das descobertas da Operação Carbono Oculto.
Esquema teria movimentado bilhões
De acordo com a investigação, empresas de fachada movimentavam quantias bilionárias por intermédio de contas de pagamento mantidas em fintechs.
Um dos mecanismos identificados foram as chamadas “contas bolsão”, utilizadas, segundo os investigadores, para camuflar a origem e o destino dos recursos e dificultar a fiscalização pelo Sistema Financeiro Nacional.
Na etapa seguinte, parte do dinheiro teria sido direcionada a fundos de investimento. A investigação chegou a gestoras com atuação na região da Faria Lima, principal centro financeiro de São Paulo.
Segundo os investigadores, cerca de mil postos vinculados à organização movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.
O MP sustenta que o modelo permitia que recursos provenientes das atividades ilícitas percorressem diferentes estruturas empresariais e financeiras antes de chegarem aos beneficiários finais.
Beto Louco e Primo são apontados como líderes
Mohamad Hussein Mourad, o Primo, era ligado ao grupo Aster/Copape. Segundo as investigações, ele teria comandado uma organização que utilizava empresas do setor de combustíveis para praticar fraudes fiscais, ocultar patrimônio e lavar dinheiro.
A acusação afirma que Mourad estruturou uma rede que incluía parentes, sócios e profissionais que teriam sido cooptados para participar das operações.
Em seu perfil no LinkedIn, Mohamad se apresentava como CEO da G8LOG, empresa especializada no transporte rodoviário de cargas perigosas, entre elas combustíveis, e como consultor do grupo Aster/Copape.
Em uma publicação nas redes sociais, afirmou acreditar “na potência do trabalho, da disciplina e do comprometimento” para alcançar “resultados sólidos”.
Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, é apontado pelos investigadores como outro líder da organização. Segundo o MP, ele seria responsável pela gestão das empresas Copape e Aster, utilizadas pelo grupo para a realização de fraudes fiscais e para viabilizar a lavagem de recursos.
Aster teria sido usada para financiar organização
Beto Louco também é apontado como um dos principais financiadores e beneficiários do esquema.
De acordo com a investigação, empresas como a Aster teriam sido utilizadas para injetar recursos na organização. A companhia teve suas licenças cassadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O dinheiro proveniente das atividades investigadas teria percorrido diferentes camadas do sistema financeiro antes de chegar aos fundos de investimento.
A estrutura, segundo a acusação, permitia pulverizar os valores, dificultar o rastreamento das operações e ocultar os verdadeiros beneficiários.
Agora, caberá à Justiça analisar a nova denúncia do Ministério Público e decidir se os empresários se tornarão réus pelos crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.







Deixe um comentário