Cinco pinguins mortos foram encontrados por garis da Comlurb nesta quarta-feira (30) durante a limpeza da orla do Rio. Dois estavam na Praia do Arpoador, em Ipanema, na Zona Sul, e outros três na Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade. A companhia encaminhou as carcaças à Central de Tratamento de Resíduos (CTR-Rio), em Seropédica, e o Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), chegou a ser acionado para acompanhar o caso.
No entanto, segundo o pesquisador Rafael Carvalho, do Maqua/Uerj, a instituição não monitora os animais nem investiga as causas de morte. A função cabe ao grupo Econservation, vinculado ao Projeto de Monitoramento de Praias – Bacia de Santos (PMP-BS).
Em entrevista à Agenda do Poder, a equipe descartou a ressaca que atinge o litoral carioca há três dias como fator determinante para as mortes dos animais.
Segundo o grupo, o aparecimento de pinguins no litoral brasileiro durante o inverno é frequente. As aves vêm da Patagônia, região de clima mais severo, em busca de temperaturas mais amenas. Os animais, a maioria deles jovens, costumam chegar debilitados após a primeira viagem migratória.
“O que vemos com frequência são animais bastante cansados, magros e em hipotermia. Muitos encalham. Quando possível, encaminhamos para centros de reabilitação, e, após recuperação, devolvemos ao mar”, informou Suellem Santiago, coordenadora do Econservation.
No entanto, alguns animais não sobrevivem ao trajeto e já chegam mortos às praias. No caso dos cinco pinguins encontrados no Rio, as carcaças estavam em avançado estado de decomposição, o que inviabilizou a realização de necropsia.
“Devido as carcaças estarem em avançado estágio de decomposição, não foi possível identificação em necropsia. Sendo assim seguimos com o protocolo de fazer registros como fotos e biometria, e enterrar”, esclareceu a coordenadora.

Aparições frequentes e ajuda
O aparecimento de pinguins em praias do estado do Rio de Janeiro se repetiu com frequência ao longo do mês de julho. No dia 14, o Corpo de Bombeiros resgatou um pinguim na Praia de São Conrado. O animal foi localizado por banhistas e entregue a uma equipe de veterinários e biólogos do Jardim Botânico, responsável pelos cuidados necessários. De acordo com os militares do quartel da Gávea, ele não apresentava ferimentos visíveis.
Na mesma semana, frequentadores também registraram a presença de pinguins nadando próximos à faixa de areia, desta vez nas praias de Itaipu e Camboinhas, em Niterói, na Região Metropolitana.
As aparições, no entanto, nem sempre foram mediadas da maneira correta por parte dos banhistas. Um exemplo disso aconteceu também em Niterói. No dia 18 de julho, um banhista acabou flagrado puxando um pinguim pela pata e arremessando-o de volta ao mar, na Praia de Itaipu. As imagens circularam nas redes sociais e causaram revolta.
Por isso, autoridades de proteção e conservação alertam para o manuseio correto desses animais em caso de encalhamento. Para ajudá-los, o Instituto Albatroz recomenda que, ao avistarem estes animais, vivos ou mortos, banhistas entrem em contato imediato com o Projeto de Monitoramento de Praias através do telefone 0800 991 4800. O mesmo deve ser feito ao encontrar outras espécies marinhas, como tartarugas, nas areias das praias.
*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes







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