Saiba como ajudar pinguins avistados no litoral do Rio

Animais estão em período de migração entre os meses de junho e setembro

Agora sim, começou pra valer a temporada de avistamentos marinhos. Este fim de semana uma baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) foi filmada por um drone enquanto brincava nas águas do litoral de Armação de Búzios. E nas duas primeiras semanas do mês, três pinguins-de-magalhães (Sphenicus magellanicus) foram resgatados em Arraial do Cabo por agentes do Projeto de Monitoramento da Petrobras (PMP-BC), realizado pelo Instituto Albatroz.

Essss pinguins estão em período de migração entre os meses de junho e setembro, quando partem da Patagônia, no extremo sul do continente, em busca de águas mais quentes e alimento. Durante o trajeto, muitos animais terminam encalhados nas praias brasileiras por conta do cansaço extremo ou doenças. Fracos e debilitados, é comum chegarem com muito frio (hipotérmicos), necessitando de cuidados especiais. E é aqui que começa o perigo.

Como ajudar os pinguins?

“Não os coloque em recipientes com água ou gelo, pois eles já estão sofrendo com o frio. Esses animais já estão experienciando altos níveis de medo e ansiedade, e manipulá-los para fotos pode, não apenas intensificar essas sensações, como também agravar quaisquer ferimentos que possam ter”, diz a médica-veterinária Daphne Goldberg, responsável técnica do Instituto Albatroz.

O Instituto Albatroz recomenda que, ao avistarem estes animais, vivos ou mortos, banhistas entrem em contato imediato com o Projeto de Monitoramento de Praias através do telefone 0800 991 4800. O mesmo deve ser feito ao encontrar outras espécies marinhas, como tartarugas, nas areias das praias.

Instituto ajuda a cuidar de pinguins | Reprodução

Monitoramento das praias

Os pinguins-de-magalhães costumam fazer colônias na América do Sul, principalmente na costa da Patagônia, onde tem as maiores colônias, e se espalham no Atlântico Sul. Essa espécie não vive no gelo, como o pinguim imperador e o pinguim real, se alimenta de lulas e pequenos peixes e vive entre 5 e 10 anos.

O Brasil possui o maior programa de monitoramento de praias do mundo, com fiscalização pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).  As atividades de reabilitação e reintrodução dos animais na natureza realizadas em mais de 10 anos de atuação do PMP contribuem para a conservação das populações naturais de animais ameaçados, enquanto as atividades de necropsia geram conhecimento sobre os principais impactos e causas de morte, subsidiando as ações de conservação dos Planos de Ação Nacionais de Espécies Ameaçadas, coordenados pelo ICMBio.

A salvação das baleias

No final da década de 1980, quando a caça indiscriminada estava levando a maioria das espécies à beira da extinção, restavam na população brasileira de baleias-jubarte algo em torno de 300 a 500 animais apenas, escondidos no Banco dos Abrolhos. Em 1988, um projeto se dispôs a mudar o destino das jubartes brasileiras. Começaram a estudar a espécie, monitorar seus movimentos, propor medidas de conservação, participar da formulação de políticas públicas nacionais e globais para protegê-las.

Em 2014, ao remover a espécie da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção, o Ministério do Meio Ambiente premiou o Projeto Baleia Jubarte por seu papel fundamental na salvação da população brasileira de jubartes. Hoje, com 35 anos de esforços contínuos, estima-se que existam cerca de 30.000 animais na população reprodutiva brasileira.

Baleias encalhada na costa brasileira | Reprodução

Como uma baleia morta pode ser um bom sinal?

Quem responde é o consultor ambiental José Truda Pallazo Júnior: “O efeito colateral desse sucesso retumbante para a conservação é que, a compensar em parte grandes taxas de nascimentos de baleias, há proporcionalmente uma taxa bastante grande de mortalidade natural”, diz ele. “Baleias envelhecem, padecem de enfermidades, enfrentam por vezes eventos de nutrição inadequada em suas áreas de alimentação, e como resultado disso… morrem”.

Em resumo, onde há mais baleias vivas, haverá mais baleias mortas. Mais encalhes. São episódios tristes do ponto de vista de um indivíduo isolado, mas que nos lembram da alegria de termos salvo as baleias-jubarte da extinção.

Na natureza nada se perde

Uma baleia morta pode ser um evento triste, especialmente quando encalham vivas e demoram a morrer. Mas a carcaça de uma baleia não é desperdiçada no mundo natural. Ela contém uma enorme quantidade de biomassa, podendo alimentar diversos outros organismos, já seja numa praia em que aves, crustáceos e outros seres a aproveitam, ao boiar mar afora e alimentar tubarões e outros grandes peixes, ou no fundo marinho, onde especialmente a grandes profundidades uma “queda” de uma carcaça de baleia é uma benção para as comunidades de animais que vivem numa permanente escassez de comida.

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