As investigações sobre o Banco Master avançaram nos últimos dias e passaram a gerar preocupação dentro do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo relato de investigadores, o material reunido até o momento teria potencial para, nas palavras deles, “resetar” a República, conforme informou a jornalista Andréia Sadi em seu blog no portal g1.
O alerta sobre o agravamento do cenário foi levado a ministros da Corte, que avaliam como cada vez mais difícil a permanência do ministro Dias Toffoli na relatoria do inquérito que apura suspeitas de fraudes financeiras bilionárias envolvendo o banco.
Relatório da PF e menções a Toffoli
Nesta quarta-feira (11), a direção da Polícia Federal entregou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um relatório da perícia realizada no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo investigadores, há no aparelho diálogos e mensagens que mencionam Toffoli. O conteúdo específico das conversas não foi detalhado publicamente.
A Polícia Federal também investiga se houve pagamentos relacionados a Toffoli em operações envolvendo Vorcaro e o Banco Master, e pretende aprofundar essa linha de apuração.
Ao encaminhar o relatório ao Supremo, a PF citou dispositivo da Lei Orgânica da Magistratura que trata de situações em que surgem indícios de crime envolvendo magistrados. O parágrafo único do artigo 33 estabelece:
“Quando, no curso de investigação, houver indício da prática de crime por parte do magistrado, a autoridade policial, civil ou militar, remeterá os respectivos autos ao Tribunal ou órgão especial competente para o julgamento, a fim de que prossiga na investigação”.
Segundo apuração, a Polícia Federal não pediu formalmente a suspeição de Toffoli, mas mencionou em seu envio ao STF trecho do regimento interno da Corte que trata desse tema.
O relatório foi encaminhado por Fachin ao gabinete de Toffoli. Integrantes da Polícia consideraram o envio célere. No entorno de Fachin, o argumento é que o procedimento segue a praxe de dar ciência às partes envolvidas para que possam se manifestar.
Nota de Toffoli e participação societária
O ministro afirmou que é alvo de “ilações” e esclareceu que a Maridt é uma empresa familiar organizada como sociedade anônima de capital fechado, regularmente registrada na Junta Comercial e com declarações apresentadas à Receita Federal.
Em 2021, os irmãos de Toffoli venderam, por intermédio da Maridt, parte das cotas que possuíam no resort Tayayá, no Paraná, por mais de R$ 3 milhões. A transação foi feita com o Fundo Arleen, controlado pela Reag, administradora de investimentos ligada ao Banco Master.
A família Toffoli permaneceu como sócia do empreendimento até fevereiro de 2025, quando vendeu sua participação remanescente. O Fundo Arleen deixou a sociedade em julho do mesmo ano.
Controvérsias e decisões anteriores
A discussão sobre eventual impedimento não é nova. Em 22 de janeiro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou uma representação apresentada por deputados do Novo e do PL que pedia o afastamento de Toffoli da investigação. Na ocasião, os parlamentares alegavam possível suspeição.
Entre os fatos mencionados no pedido estava uma viagem do ministro, em novembro de 2025, para assistir à final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, em Lima, no mesmo voo particular que um advogado que defende um diretor do Banco Master.
Reportagens também apontaram que a sede da Maridt Participações, registrada na Junta Comercial de São Paulo, funciona em uma casa de 130 metros quadrados onde reside José Eugênio Toffoli. Cássia Pires Toffoli declarou que nunca soube que o imóvel foi sede da empresa e afirmou não ter conhecimento de qualquer ligação do marido com o resort.
Segundo o Banco Central, a Reag e o Banco Master teriam montado um esquema de operações fraudulentas para inflar o valor de fundos por meio de circulação interna de recursos. Em agosto de 2025, a Reag foi alvo de busca e apreensão na operação Carbono Oculto, que investigou lavagem de dinheiro ligada ao PCC.
Clima no Supremo e próximos passos
Nos bastidores do STF, cresce a avaliação de que a permanência de Toffoli na relatoria pode se tornar insustentável, ainda que o ministro sustente a legalidade das operações envolvendo a Maridt. O ponto sensível, segundo essa leitura, é o fato de ele ter recebido dividendos de empresa que manteve relação societária com fundo ligado ao banco sob investigação.
A expectativa de aliados de Toffoli, segundo ministros da Corte, seria obter da Procuradoria-Geral da República manifestação semelhante à que beneficiou o ministro Alexandre de Moraes. Em 29 de dezembro de 2025, Paulo Gonet arquivou pedido de investigação envolvendo Moraes e sua esposa, afirmando que não havia indícios de crime.
Desde que assumiu o caso Master, Toffoli determinou sigilo absoluto sobre o inquérito, marcou acareação entre Vorcaro e diretor do Banco Central responsável pela liquidação do banco, criticou a atuação da Polícia Federal e designou peritos da corporação para analisar materiais apreendidos.
A investigação, iniciada a partir da Operação Compliance Zero, que levou à apreensão do celular de Vorcaro, segue agora sob atenção direta da presidência do STF e da Procuradoria-Geral da República, que deverão definir os próximos desdobramentos.






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